Título: Mansão do ex-dono do Banco Santos: Justiça reforça segurança e põe lacres
Autor: Gomes, Wagner
Fonte: O Globo, 02/03/2011, Economia, p. 35
Advogado de ex-banqueiro diz que documentos sumiram. Administrador nega
SÃO PAULO. A mansão do Morumbi, em São Paulo, que era alugada pelo ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira amanheceu ontem vigiada por mais seguranças e com lacres nos acessos a alguns aposentos. As medidas foram implementadas após a Justiça determinar, na noite de segunda-feira, a saída de Vânio Aguiar da condição de fiel depositário dos bens do ex-dono do Banco Santos. Para o seu lugar, foi nomeada Flávia Mileo Ieno Giannini. Aguiar continua cuidando da massa falida.
¿ Documentos e computadores do meu cliente desapareceram ¿ acusa Decoussau Tilkian, advogado de Ferreira.
Tilkian, Flávia, representantes da massa falida e o próprio Edemar estiveram ontem pela manhã na mansão para fazer uma vistoria. O ex-dono do Banco Santos ficou no local das 9h às 13h para completar uma lista de bens pessoais que deixara no imóvel. De acordo com o advogado, na semana passada, seu cliente foi impedido de entrar na residência por Aguiar.
¿ O administrador da massa falida não pode ter, ao mesmo tempo, a condição de fiel depositário da casa. Há uma grande confusão de funções ¿ disse Tilkian.
Obras de arte deixadas no imóvel valem R$20 milhões
O ex-banqueiro foi despejado da mansão no dia 20 de janeiro deste ano, por atraso no pagamento do aluguel. Sua dívida chegaria a R$4 milhões. No imóvel de quatro mil metros quadrados, ele tem um acervo de obras de arte avaliado em mais de R$20 milhões. Após a quebra do Banco Santos, algumas delas foram enviadas para o exterior, mas acabaram sendo recuperadas.
Edemar foi condenado a 21 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ele recorreu e cumpre a pena em liberdade. O ex-banqueiro teve de deixar a mansão por causa de uma ordem de despejo assinada pelo juiz Régis Rodrigues Bonvicino, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, que também determinou o afastamento de Aguiar como fiel depositário.
A decisão atende a um pedido da promotora Sandra Rodrigues Oliveira, do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), baseado no depoimento prestado por um segurança da mansão. Segundo ele, Aguiar autorizou a entrada de mais de 250 pessoas na residência e não ordenou qualquer revista.
¿ Ainda não fui notificado do afastamento. Edemar não entrou na casa na semana passada porque eu não pude estar presente. Tive um problema de saúde. Cumpro um duplo papel como fiel depositário da casa e administrador da massa falida. Isso é natural ¿ afirmou Aguiar.
O administrador da massa falida do Banco Santos explicou que não é possível detalhar cada documento retirado da casa, como exige o advogado de Edemar. Ele afirmou que todos os papéis estão guardados, assim como os computadores, e garantiu que tudo será devolvido depois de análises.
Aguiar explicou que documentos foram retirados da mansão para passar por uma avaliação rigorosa, já que podem estar relacionados a uma falência fraudulenta. Na próxima sexta-feira, vence o prazo dado pelo juiz da 1ª Vara Cível de Pinheiros para Edemar completar sua lista de bens deixados no imóvel.