Título: Dilma comemora: O Pibão foi bom, foi bom
Autor: Gois, Chico de ; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 04/03/2011, Economia, p. 22
BRASÍLIA. O governo celebrou a maior taxa de crescimento do Brasil em 24 anos, mas utilizou a festa para passar um recado: está comprometido com um patamar de expansão, no mandato da presidente Dilma Rousseff, que não atire mais lenha na fogueira da inflação. Dilma não só escalou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para garantir que a economia não está superaquecida como pessoalmente afirmou que os 7,5% de 2010 não podem se repetir. O ritmo seguro para o PIB brasileiro, disse, está entre 4,5% - percentual que enfatizou mais vezes - e 5% ao ano.
Antes de explicar as bases com as quais trabalha para o crescimento sustentado brasileiro, Dilma comemorou, quando perguntada pelos jornalistas sobre os números divulgados pelo IBGE.
- O Pibão foi bom, foi bom - disse, quando se preparava para receber o primeiro-ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão.
Após a solenidade, Dilma disse que "7,5% é um número bastante razoável" e representa o potencial do país. Porém, afirmou que o governo não acredita que o percentual se repetirá nos próximos anos.
- Mas ficaremos numa faixa de 4,5% tranquilamente - disse a presidente. - Os 7,5%, eu acho que a gente deve saudar, mas vamos sempre procurar uma taxa bastante razoável de crescimento, de 4,5% a 5%, que seja sustentável e permanente. Obviamente, a gente espera que o mundo não crie turbulências nem marolas.
A presidente destacou que a inflação, que sobe fortemente desde o ano passado e pegou carona na economia acelerada, é uma preocupação central. Dilma disse que, com isso em mente, o governo está fazendo "uma consolidação fiscal", em referência ao corte recorde de R$50,1 bilhões no Orçamento. Do plano oficial consta, ainda, aumentar os investimentos, para que haja oferta ampla de produtos e o país possa crescer com estabilidade, sem pressão sobre os preços.
- Para nós, o controle da inflação é uma das questões mais importantes, e é uma conquista que o povo brasileiro, ao longo dos últimos anos, obteve. Não vamos deixar, de maneira alguma, a inflação ficar fora de controle - afirmou. - Com um olho, vamos olhar para a questão da estabilidade. Com o outro, vamos olhar para a questão da ampliação do investimento.
Mantega salientou no PIB de 2010 a alta de 21,8% nos investimentos, o que significa máquinas e equipamentos mais novos operando nas fábricas. Em 2011, ele espera que essa expansão seja de 12%:
- Isso dá qualidade ao crescimento do PIB. Estamos expandindo a nossa capacidade produtiva, e (isso) nos habilita a continuar o crescimento equilibrado nos próximos anos.
O ministro rebateu os argumentos do mercado de que a economia está superaquecida e crescendo acima de seu potencial, pois há uma inflação de demanda em curso:
- A economia não está superaquecida. Eu diria que ela está hoje crescendo a uma taxa de 4,5% a 5%, sendo que o Brasil sustenta, sim, um crescimento de 5%. Os 7,5% de 2010 são muito, mas esse foi um ano excepcional - disse o ministro, acrescentando que a inflação já está desacelerando. - Olhem o IPC-S semanal. Já estamos vendo algum recuo em alimentos, transportes e educação.
Mantega afirmou ainda que a expansão de 7,5% deixou o Brasil em quinto lugar no ranking de crescimento do G-20, perdendo apenas para China, Índia, Argentina e Turquia. Já quando se considera o PIB em dólares convertidos pela paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), ele afirmou que o Brasil foi o sétimo colocado, ultrapassando França e Reino Unido:
- Há muito tempo que a população brasileira não tinha a satisfação de perceber um PIB tão grande, com todas as vantagens e benefícios que isso traz. Mostramos a nossa capacidade de crescer cada vez mais.
Em nota, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que o Brasil "entrou em um novo ciclo de expansão", após a recuperação da crise econômica de 2008 e 2009, puxado pela demanda doméstica, que continuou sendo "o grande suporte" do crescimento econômico. Ele também ressaltou a alta dos investimentos.