Título: MPF quer investigação contra Jaqueline Roriz
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Fonte: O Globo, 07/03/2011, O País, p. 4

BRASÍLIA. A deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) deverá ser alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que pedirá abertura de investigação contra a parlamentar, filha de Joaquim Roriz (PSC), ex-governador do Distrito Federal. O procurador disse ao jornal "Correio Braziliense" ter ficado impressionado com o conteúdo do vídeo no qual a deputada, que faz parte da comissão de reforma política da Câmara, recebe dinheiro de forma ilegal para financiar sua campanha a deputada distrital, em 2006.

- As cenas são fortíssimas - avaliou Gurgel, em entrevista ao jornal. - É uma situação extremamente grave. As imagens não deixam dúvida do estado da política no Distrito Federal.

A assessoria da Procuradoria Geral da República não deu dados do caso e disse que Gurgel não daria entrevista de novo.

As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa. Outros políticos de Brasília foram flagrados no mesmo esquema de corrupção - que ficou conhecido como mensalão do DEM. Durval fez acordo com o Ministério Público para entregar provas das irregularidades em troca da redução da pena nas dezenas de processos a que responde na Justiça.

Em pouco menos de três minutos de gravação, Jaqueline aparece com o marido, Manoel Neto, conversando com Durval. Ela recebe maços estimados em R$50 mil e pede mais.

- Tem a possibilidade de você aumentar isso pra mim? - pergunta Jaqueline a Durval.

PSOL pedirá abertura de sindicância sobre o caso

Em nota, o PSOL anunciou que pedirá abertura de sindicância sobre o caso na Corregedoria da Câmara após o carnaval. A legenda exige afastamento imediato da deputada da comissão da reforma política. O PSOL informou ainda que, assim que for instalado o Conselho de Ética, encaminhará representação ao órgão para apurar a denúncia.

O partido reclamou da omissão da Corregedoria diante das "gravíssimas denúncias". "Não é admissível que o corregedor, Eduardo da Fonte (PP-PE), a exemplo da acusada, esteja incomunicável", diz o texto, assinado pelo líder da sigla na Câmara, Chico Alencar. O deputado ressalta que, desde 2007, persiste no Conselho de Ética a interpretação de que fatos anteriores ao mandato não podem servir de prova contra o parlamentar.