Título: Petróleo fecha no maior nível desde setembro de 2008 e Wall Street recua
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Fonte: O Globo, 08/03/2011, Economia, p. 14
NOVA YORK, LONDRES, ATENAS e BASILEIA (Suíça). A alta nos preços de petróleo diante da preocupação com os conflitos na Líbia levou os mercados mundiais a mais um pregão de queda ontem. Pesaram ainda o rebaixamento da classificação da Grécia pela agência Moody's e a queda de ações do setor de tecnologia nos Estados Unidos. Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 0,66%, enquanto o S&P 500 teve perda de 0,83%. Já o Nasdaq recuou 1,40%.
O preço do barril do óleo tipo leve americano chegou a avançar 2,4% em Nova York, a US$106,95, e fechou em alta de 1%, a US$105,44, o maior nível desde 26 de setembro de 2008, segundo a agência de notícias Bloomberg. O barril do tipo Brent, no entanto, encerrou em queda de 0,7%, a US$115,18. Os preços acabaram recuando de picos atingidos durante o dia por notícias de que o líder líbio Muamar Kadafi estava tentando negociar uma saída da Líbia. Além disso, investidores embolsaram ganhos recentes. Já o ouro atingiu novo recorde, de US$1.440,40 a onça-troy (31,1 gramas), com investidores correndo para aplicações seguras.
Nesse cenário, as estimativas para o preço do petróleo estão sendo revistas para cima. O Citigroup elevou de US$90 para US$105 sua projeção para o barril do Brent em 2011. Já o Commerzbank AG acredita que o preço chegue a US$120 no segundo semestre deste ano.
E em um esforço coletivo para segurar os preços do petróleo, alguns países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se uniram à Arábia Saudita e estão de forma discreta aumentando a produção de petróleo. Segundo reportagem publicada pelo "Financial Times", Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Nigéria devem elevar a produção em até 300 mil barris por dia nas próximas semanas.
Trichet alerta para risco de inflação em emergentes A aversão ao risco dos mercados foi ampliada ainda pelo rebaixamento da classificação da Grécia em três graus por causa de um aumento do risco de moratória, elevando as chances de o país da zona do euro ter de reestruturar sua dívida, talvez antes de 2013.
A medida elevou a pressão para que autoridades da zona do euro flexibilizem os termos de pagamento dos empréstimos feitos a Atenas, em um momento em que a Alemanha e seus aliados parecem ter dado as costas a iniciativas para ajudar o país a reduzir sua dívida por meio de compra ou recompra de bônus.
"A probabilidade de uma moratória ou troca de dívida aumentou desde o último rebaixamento da classificação da dívida soberana grega em junho de 2010", afirmou a Moody's em comunicado.
Outro fator a influenciar negativamente Wall Street foi a queda das ações de tecnologia, após relatório do Wells Fargo rebaixar o setor de semicondutores, destacando que ele mais que dobrou em dois anos.
E o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou ontem que as pressões sobre os preços foram acentuadas pela última disparada do petróleo e que a economia global está pronta para um crescimento relativamente robusto. Ao participar como presidente da reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Trichet disse que os bancos centrais estão unidos na busca por ancorar as expectativas sobre a inflação futura, mas nem todos agirão da mesma forma. ¿ O crescimento está bastante forte (nas economias emergentes) e (o superaquecimento) é uma ameaça. A ameaça da inflação é particularmente visível nas economias emergentes ¿ apontou Trichet.
O vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, também afirmou que as economias emergentes estão começando a mostrar sinais de superaquecimento. E autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) confirmaram que o programa de compra de bônus de US$600 bilhões será concluído. O presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que não descartaria mais compras de bônus caso a recuperação econômica decline.