Título: Premier iraquiano reprime críticos
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Fonte: O Globo, 08/03/2011, O Mundo, p. 16

BAGDÁ. As manifestações por reformas no governo levaram as forças de segurança do Iraque a fecharem os escritórios de dois partidos que lideraram os últimos protestos no país, segundo informaram ontem membros das duas organizações baseadas em Bagdá. Ordenada pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki, a medida alimenta as denúncias de que o governo vem usando violência para reprimir a oposição da frágil democracia do país. Integrantes do Partido da Nação Iraquiana e do Partido Comunista afirmaram que agentes armados invadiram seus escritórios dias após uma nova rodada de manifestações. Apesar de os dois grupos não terem nenhum assento no Parlamento, seus membros são críticos ferrenhos do governo de Maliki. ¿ Ele está burlando a Constituição! Está ferindo a lei! ¿ acusou Mithal al-Alusi, líder do Partido da Nação Iraquiana e ex-membro do Parlamento, referindo-se ao premier. O gabinete de Maliki afirmou que não há intenções políticas por trás dos despejos, e que há, sim, um plano para recuperar instalações públicas para o governo. Segundo Ali al-Moussawi, um assessor do premier, o Ministério da Defesa "precisava usar esses edifícios agora". Bahrein: pedido de ajuda aos EUA MANAMA.Centenas de xiitas bareinitas protestaram ontem em frente à embaixada americana em Manama, exigindo que Washington apóie a campanha da oposição por uma ampla reforma no governo. Diplomatas se reuniram com os manifestantes e reiteraram o "compromisso do governo Obama com o Bahrein e seu povo". Num comunicado, diplomatas americanos pediram que "todos os partidos trabalhem imediatamente para iniciar o diálogo", mas alertou que as conversas só terão êxito se "levarem a ações e reformas concretas". Durante o protesto de ontem, manifestantes também acusaram Washington de expressar menos apoio à revolta no Bahrein do que ao levante por democracia na Tunísia e no Egito. Sírios fazem greve de fome BEIRUTE. No 48º aniversário do golpe de Estado na Síria, 13 presos políticos anunciaram ontem uma greve de fome para exigir o fim da opressão no país. Os ativistas criticam o estado de emergência decretado há mais de quatro décadas e os "serviços de segurança onipresentes que amparam o despotismo político e usam a Justiça para sufocar a liberdade de opinião". A lista de dissidentes em greve de fome inclui o ex-juiz Haitham al-Maleh, de 80 anos, que cumpre uma pena de três anos de prisão por ter criticado a corrupção na Síria, e o advogado Anwar al-Bunni, encarcerado por cinco anos acusado de trabalhar para "enfraquecer a moral pública". "Iniciamos uma greve de fome para que acabem as prisões políticas e a injustiça, para que possamos recuperar os direitos cívicos e políticos", disseram os ativistas em nota. "Chegou a hora de acabarmos com este estado de opressão, de acordo com os ventos democráticos que varrem todo o mundo árabe". Tunísia fecha polícia política TÚNIS. Autoridades do governo interino da Tunísia nomearam ontem um novo Gabinete de tecnocratas e anunciaram a dissolução da estrutura de repressão, que incluía a polícia política do ditador Zine al-Abidine Ben Ali: "Estas medidas estão em simbiose com os valores da revolução, no sentido do respeito da lei (...) e em consagração ao clima de confiança e transparência na relação entre os serviços de segurança e o cidadão", afirmou o governo.