Título: Padilha pede mecanismo para financiar Saúde
Autor: Vasconcellos, Fábio
Fonte: O Globo, 09/03/2011, O País, p. 9
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu ontem no Rio a criação de um mecanismo permanente de financiamento da Saúde. Evitando falar em uma nova CPMF, Padilha afirmou que os recursos para a área devem não apenas ser permanentes, mas também crescentes. Na avaliação do ministro, caberá ao Congresso Nacional discutir esta e outras propostas nos próximos meses:
- Acho que tem um clima positivo no Congresso e em todo os partidos no sentido de termos avanços nos mecanismos de gestão, e de termos uma regra estável de financiamento e uma forma de termos recursos crescentes para a Saúde ao longo dos anos. Esse é um debate que o Congresso tem de fazer.
Governo espera aprovar regulamentação da emenda 29
Perguntado se o governo iria apresentar a criação de um novo imposto para financiamento da Saúde, Alexandre Padilha explicou que a iniciativa será a de debater com o Congresso.
- A principal iniciativa do governo é debater com o Congresso quais medidas o Congresso pode trazer para que possamos aprimorar a Saúde. Este ano, em relação ao ano passado, tivemos acréscimo de recursos na Saúde. Achamos que devemos ter recursos crescentes. Não é só o governo que acha isso, a oposição também. Defendemos que a gente tenha regra permanente de financiamento, independentemente de quem esteja governando o país, os estados ou os municípios.
Alexandre Padilha afirmou também que o governo espera aprovar este ano a regulamentação da emenda constitucional 29, que estabelece parâmetros de financiamento da Saúde. Segundo o ministro, a aprovação da emenda 29 pode correr em paralelo à discussão em relação às fontes de recursos permanentes da Saúde, defendida pelo governo.
O ministro da Saúde passou o carnaval no Rio, na Marquês de Sapucaí. Ele explicou que este ano o ministério lançou o teste rápido de HIV. A campanha do governo neste carnaval é focada nas jovens entre 13 e 19 anos, que apresentam índices de contaminação do HIV maiores que os registrados entre os homens.
Situação mais crítica no Norte e no Nordeste
Alexandre Padilha afirmou que a situação é mais crítica nas regiões Norte e Nordeste, e entre jovens que não tiveram contato com outras campanhas do passado. O ministério distribuiu neste carnaval 35 milhões de preservativos, cinco milhões deles apenas no Rio.
- Nessa faixa etária (de 13 a 19 anos), nós já temos mais mulheres infectadas pelo vírus da Aids do que homens. Toda a preocupação do ministério é dialogar com essa juventude que não teve as referências que outras gerações tiveram no combate à Aids. Todo o foco da campanha é estimular essas mulheres jovens a exigir a camisinha dos parceiros - afirmou Padilha, acrescentando: - Juntamente com a campanha, estamos lançando um teste rápido para Aids. É um furo no dedo, e em dez minutos sai o resultado. Queremos estimular o diagnóstico precoce na população.