Título: Preços do setor subiram acima da inflação
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 09/03/2011, Economia, p. 19

A área econômica não aceita as alegações da indústria para evitar a elevação da carga tributária. O governo fez um estudo detalhado sobre o comportamento dos preços dessas bebidas nos últimos dois anos. O que se observa é que, mesmo sem o aumento da carga, os valores subiram acima da inflação.

Em 2009, por exemplo, o IPCA fechou o ano em 4,31%, sendo que refrigerantes e águas tiveram uma alta de 6,61%. No caso das cervejas, o aumento foi de 6,29%. Em 2010, esse comportamento se manteve: o IPCA subiu 5,91%, refrigerantes e águas, 8,05% e cervejas, 6,49%.

- Os preços subiram absurdamente desde 2008 - disse o técnico do governo.

Novo sistema foi demanda de pequenos fabricantes

A mudança na tributação de bebidas frias foi uma demanda de pequenos fabricantes. Como a regra antiga era a incidência de uma alíquota fixa (em R$) por litro, as empresas menores alegavam estar sendo prejudicadas no mercado, pois tinham a mesma carga de impostos que os grandes fabricantes.

Diante disso, foi desenvolvido um sistema tributário que levasse em conta a marca (que indica o poder de mercado da empresa), o preço cobrado e o tipo de embalagem. Assim, duas fábricas de cerveja que vendam esse produto em lata, por exemplo, vão pagar PIS/Cofins e IPI de forma diferenciada por causa dos demais critérios fixados.

A variedade é tão grande que praticamente cada produto tem uma carga tributária. Mesmo assim, é possível dizer que o segmento de cervejas tem uma carga média de 11% e o de refrigerantes, de 13%.