Título: Argentina limita importações
Autor: Beck, Martha; Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 10/03/2011, Economia, p. 23

Lista de produtos sem licença automática sobe de 400 para 600

BUENOS AIRES e BRASÍLIA. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ampliou ontem as barreiras protecionistas do país. O objetivo é reduzir as importações e elevar o superávit comercial, que, entre 2009 e 2010, recuou de US$16,8 bilhões para US$12 bilhões. De acordo com o Ministério da Indústria, o número de produtos importados que perderam licenças automáticas de entrada passou de 400 para 600, incluindo, a partir de agora, eletrodomésticos, automóveis de luxo, têxteis, bicicletas, motos, tratores e celulares. Confiante na promessa da Casa Rosada, feita em fevereiro, de que a medida não afetará os negócios com integrantes do Mercosul, o governo brasileiro não se posicionou oficialmente sobre a iniciativa.

- Como o esforço é bastante recente, ainda não dá para saber se a garantia argentina será cumprida ou não - comentou um técnico do governo brasileiro.

No papel, a medida adotada ontem pela Argentina afeta todos os países que exportam para o mercado argentino. No entanto, o governo Kirchner se comprometeu a tentar minimizar o impacto das novas barreiras no caso de produtos provenientes de seus sócios do Mercosul.

Até a boneca Barbie teve licença para importação suspensa

Em meio a críticas por parte dos governos de Brasil, Paraguai e Uruguai, nos últimos dias de fevereiro o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, se reuniu com a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, em Buenos Aires, e ambos concordaram em criar uma comissão especial para monitorar a tramitação das licenças de importação. O mecanismo permite ao governo argentino ter até 60 dias (prazo permitido pela Organização Mundial do Comércio) para autorizar a entrada de produtos importados no país. Após as reclamações do bloco, a Argentina assegurou que, no caso dos países vizinhos, o processo será mais rápido.

Um dos principais temores do governo brasileiro é o de que nem mesmo o prazo de 60 dias seja cumprido pelos argentinos, como já ocorreu em épocas passadas, nas quais exportadores brasileiros tiveram de aguardar até quatro meses para ver suas mercadorias liberadas no mercado vizinho. Apesar disso, em 2010, a Argentina acumulou um déficit de US$5,6 bilhões no saldo da balança comercial com o Brasil.

Nas últimas semanas, a Argentina, que já vive em clima de campanha eleitoral - as eleições presidenciais acontecerão em outubro -, decidiu reforçar a proteção à indústria nacional. Uma das medidas mais polêmicas foi a suspensão da licença para a importação de bonecas Barbie.