Título: Brasil fora de ranking mundial de universidades
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Fonte: O Globo, 11/03/2011, O País, p. 10
BRASÍLIA. O Brasil não tem nenhuma instituição entre as cem universidades com melhor reputação no mundo, segundo ranking elaborado pela organização britânica Times Higher Education, referência na área. A Universidade de São Paulo (USP) só aparece na 232ª posição, e acabou representando todas as instituições da América do Sul. O país foi o único dos Brics - grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China - a não figurar entre as cem melhores do ranking, que colocou a Universidade de Harvard no topo, com pontuação máxima em todos os critérios.
O ranking foi feito com base numa pesquisa com mais de 13 mil professores de 131 países. O resultado reforça a posição dominante das instituições americanas - sete das dez primeiras da lista são dos Estados Unidos -, do Reino Unido e do Japão.
Entre os Brics, a Rússia aparece com a Universidade Lomonosov de Moscou (em 33º). A China com as universidades Tsinghua (em 35º), Hong Kong (em 42º) e Pequim (em 43º). O Instituto de Ciência da Índia está entre as dez últimas da lista.
A pesquisa pediu aos acadêmicos para destacar o que eles acreditavam ser o mais forte das universidades para o ensino e a pesquisa em seus próprios campos. Harvard obteve cem pontos. As outras cinco melhores classificadas foram: Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, nos EUA); Universidade de Cambridge (Reino Unido); Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA); Universidade de Stanford (EUA) e Universidade de Oxford (Reino Unido).
A pesquisa sobre reputação acadêmica vem logo após a recente polêmica envolvendo as ligações da London School of Economics com o governo Kadafi na Líbia, que causaram a saída do diretor da escola, Howard Davies. No ranking, feito antes de a história vir à tona, a London School aparece em 37º.
O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, disse que o Brasil precisa enfocar três aspectos para ser incluído nos próximos rankings. O primeiro deles é internacionalizar as instituições superiores; ou seja, aumentar o intercâmbio de acadêmicos e estudantes, e o número de publicações de trabalhos brasileiros no exterior.
Segundo Costa, a produção científica brasileira é alta, ocupa o 13º lugar no mundo, sendo que 90% dessa produção vêm das universidades. No entanto, o reconhecimento vai para os pesquisadores, e não para as instituições:
- Apesar de a produção científica do Brasil ser muito alta, isso ainda não se consolidou na representatividade das nossas instituições. Essa ausência (no ranking) mostra que não estamos sendo citados. Os pesquisadores são reconhecidos individualmente, mas não as instituições.
Outra providência, para Costa, é aumentar o investimento nas universidades por aluno. A terceira medida seria dar mais autonomia às instituições:
Para Costa, se os programas do MEC nesse sentido forem concluídos, o país poderá ter uma universidade em um ranking com as 200 melhores instituições do mundo em "dois ou três anos".
Com informações da BBC