Título: Veja: mala de dinheiro para campanha de Roriz
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Fonte: O Globo, 13/03/2011, O País, p. 10

À revista, Durval Barbosa diz que gravação é de 2002

SÃO PAULO. Peça-chave nas revelações sobre o chamado mensalão do DEM, o ex-secretário Durval Barbosa disse ter novos detalhes sobre o escândalo. De acordo com reportagem publicada pela revista ¿Veja¿, Barbosa ¿ que decidiu colaborar com a polícia e a Justiça depois de ter obtido o benefício da delação premiada ¿ diz ter gravações em vídeo que envolveriam não só o atual, o petista Agnelo Queiroz, como também o ex-governador de Brasília Joaquim Roriz. Suas acusações também chegariam ao gabinete do hoje ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Roriz, apontado como mentor de um esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, seria personagem de uma das gravações inéditas. Barbosa diz ter filmado o momento em que entregou a um assessor de Roriz uma mala com R$2 milhões. Era 2002, e Roriz disputava a eleição. Barbosa tem afirmado que filmou também o instante em que o assessor entrou no comitê de campanha com a mala e o momento em que saiu do comitê ¿ já sem a mala. Semana passada, veio a público um outro vídeo, em que a deputada federal Jaqueline Roriz, filha do ex-governador, aparece junto com o marido recebendo R$50 mil em maços de dinheiro do operador do mensalão de Brasília.

Agnelo Queiroz teria pedido uma cópia do CD

Segundo a revista, Barbosa ¿disse a amigos¿ ter também vídeo em que ¿conversa animadamente¿ com Agnelo. O governador, que se preparava para disputar as eleições do ano passado, aparece, segundo o relato, vendo ¿com muita atenção¿ imagens gravadas pelo ex-delegado de políticos brasilienses (seus adversários políticos na campanha) recebendo dinheiro desviado dos cofres públicos. Ainda por essa versão, Agnelo teria pedido uma cópia do CD.

¿Veja¿ diz ter tido acesso a depoimento em que o delator afirma ter usado uma ex-assessora como elo com o Palácio do Planalto. Christiane Araújo teria levado a Gilberto Carvalho, então chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedido para manter Leonardo Bandarra à frente do Ministério Público de Brasília. Ouvida pelos investigadores, Christiane confirmou ter enviado um email a Carvalho. A resposta teria sido que iria ¿encaminhar a demanda¿.

Procurado pela revista, Carvalho negou que tenha atendido à solicitação. Christiane chegou a integrar a equipe de transição da presidente Dilma Rousseff, mas foi demitida depois de descoberto seu envolvimento em outro escândalo, o da máfia dos sanguessugas. Já Bandarra, acusado de dificultar as investigações em torno do mensalão do DEM, foi afastado do cargo e também está sendo investigado pela Justiça.