Título: Dilma lamenta falta de Lula ao fazer agrado a sindicalistas
Autor: Gois, Chico de ; Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 12/03/2011, O País, p. 3
BRASÍLIA. Em discurso durante solenidade fechada ontem no Planalto, para regulamentação da lei que prevê a participação de representantes dos funcionários nos conselhos de administração de 59 empresas públicas, de economia mista e suas subsidiárias, a presidente Dilma Rousseff lamentou, por duas vezes, a ausência do ex-presidente Lula na cerimônia. Dilma lembrou que a aprovação da Lei 12.353, que estabelece a nova prática, foi muito defendida por Lula. E repetiu discurso do antecessor em defesa das empresas estatais e do papel dos trabalhadores para evitar que elas fossem privatizadas.
- Falta, sem dúvida, uma pessoa, que é o presidente Lula porque ele lutou muito por esta lei. Eu sou testemunha da quantidade de vezes que ele perguntava para o Paulo Bernardo: "E aí, ô Paulo (Bernardo, ex-ministro de Planejamento), (cadê) a regulamentação da participação dos trabalhadores no conselho das empresas?" - disse Dilma em ato que aconteceu antes da reunião com as centrais sindicais. - A aprovação da (lei)12.353, que foi assinada já no apagar das luzes do governo do presidente Lula, e agora nós estamos regulamentando, é algo que todos nós devemos comemorar. Aí, eu encerro dizendo: falta ele nesta cerimônia, sem dúvida nenhuma.
A lei regulamentada ontem prevê que as empresas públicas com mais de 200 empregados deverão ter representantes dos servidores nos conselhos - atualmente elas são 59, e cada uma terá um trabalhador no seu conselho de administração. Eles serão eleitos por uma comissão de representantes de cada empresa e terão mandato de acordo com o que estabelece o estatuto de cada empresa.
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, comemorou a regulamentação da participação dos empregados no conselho das estatais, mas cobrou a regulamentação do delegado sindical nas empresas privadas com mais de 200 trabalhadores.