Título: BC japonês antecipa reunião e promete injetar recursos
Autor: Spitz, Clarice ; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 12/03/2011, Economia, p. 19

TÓQUIO e HONG KONG. O Banco do Japão, o banco central do país, correu para tranquilizar a população e os mercados globais após a tragédia. A autoridade monetária anunciou que sua reunião sobre política monetária, que seria nas próximas segunda e terça-feira, será concluída em apenas um dia, com a decisão sendo divulgada na própria segunda-feira. Além disso, segundo o jornal britânico "Financial Times", o BC estabeleceu uma equipe de emergência e prometeu ampla liquidez ao sistema bancário.

O problema é que restam poucas opções de política econômica ao Japão para estimular sua já combalida economia. A taxa básica de juros do país está em apenas 0,3% ao ano desde dezembro de 2008. Outra questão é o pesado endividamento. A dívida pública hoje representa 196% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) do Japão. Por causa desse endividamento, a agência de classificação de risco Standard & Poor"s reduziu no mês passado a nota de crédito do Japão.

Normalmente, investimentos públicos em reconstrução de infraestrutura após grandes tragédias acabam criando empregos e reativando a economia. A preocupação dos analistas, no caso do Japão, é saber como o governo poderia fazer esses investimentos diante de uma dívida pública tão elevada.

Yasuo Yamamoto, economista sênior do Instituto de Pesquisa Mizuho, em Tóquio, disse à agência Reuters que o governo deve anunciar um orçamento de emergência, como ocorreu em 1995, depois do terremoto em Kobe:

- O governo teria de vender mais bônus, mas isso é uma emergência, então não há como evitar.

Takuma Ikeda, economista sênior da corretora Nomura, lembrou que o terremoto em Kobe deixou 6.434 mortos e cerca de 300 mil desabrigados, causando um prejuízo em torno de US$100 bilhões à economia. Em teleconferência, segundo o jornal australiano "Sydney Morning Herald", Ikeda disse que esse montante equivalia a cerca de 2,5% do PIB japonês na época.

Desta vez, a área mais afetada abriga fábricas de produtos químicos e eletrônicos. A região, segundo a Nomura, responde por cerca de 1,7% da produção japonesa. A corretora não espera um grande impacto na atividade industrial do país, mas acha que vai prejudicar a confiança dos investidores nos títulos do governo japonês.