Título: BC garante liquidez de US$265 bilhões
Autor: Ribeiro, Fabiana ; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 15/03/2011, Economia, p. 21

TÓQUIO. O Banco do Japão, o banco central japonês, colocou ontem à disposição das instituições financeiras 21,6 trilhões de ienes (US$265 bilhões). Além disso, o BC anunciou que vai dobrar seu programa de compra de ativos, para 10 trilhões de ienes (US$122 bilhões). O objetivo das medidas é tranquilizar os mercados financeiros.

Ontem mesmo o BC japonês injetou 15 trilhões de ienes no sistema financeiro (US$183 bilhões), o maior volume em um dia na história da autoridade monetária. Os demais 6,8 trilhões de ienes (US$82 bilhões) serão liberados até amanhã, segundo o diário britânico de negócios "Financial Times".

O Banco do Japão informou que decidiu dobrar seu programa de compra de ativos para fazer frente à aversão a risco nos mercados financeiros. Para economistas ouvidos pelo "Times", o objetivo do BC japonês é eliminar um potencial medo de falta de liquidez na esteira de uma tragédia.

Mas teme-se que a injeção de liquidez não seja suficiente. Mitsumaru Kumagai, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Daiwa, o BC japonês terá de adotar medidas mais fortes para estimular a economia. Já Yuichiro Nagai, economista do Barclays Capital em Tóquio, disse ao "Times" que as medidas fiscais do governo para lidar com a crise serão mais importantes que as ações do BC japonês.

O Banco do Japão ainda manteve a taxa de redesconto, usada em empréstimos interbancários, no intervalo entre zero e 0,1%. Com os juros já próximos de zero, o BC não tinha espaço para manobras, a não ser a injeção de recursos.

- Minha impressão inicial é que o Banco do Japão poderia ter feito mais. Sua tradicional postura reservada sobre um afrouxamento monetário (injeção de recursos) foi mantida, apesar das dimensões da tragédia - disse à agência de notícias Reuters Masamichi Adachi, economista sênior da JPMorgan Securities Japan. - O banco não parece estar levando totalmente em consideração a forte incerteza que ronda o Japão.

O governo japonês já indicou que pretende lançar um pacote com medidas de estímulo. No entanto, o ministro de Finanças, Yoshihiko Noda, afirmou ontem que isso não deve acontecer antes do fim do ano fiscal, em 31 de março.