Título: O Taj Mahal voador do presidente dos EUA
Autor: Araújo, Vera
Fonte: O Globo, 18/03/2011, O País, p. 10
Jato mais seguro do mundo, Air Force One que trará Obama voa desde 1990 e sua fuselagem resiste até ao impacto provocado por bombas José Meirelles Passos George Bush, o pai, foi certamente quem melhor já definiu as vantagens básicas de se ter à disposição uma fortaleza voadora como o Air Force One, o gigantesco jato presidencial dos Estados Unidos, cuja fuselagem é capaz de resistir ao impacto de impulsos eletromagnéticos causados por bombas nucleares, além de possuir também um sistema antimísseis. ¿ Do que mais sinto falta, da época em que viajava nele, é que jamais perdiam a minha bagagem. O avião sempre decolava no horário, e nunca me diziam que um voo tinha de ser cancelado por causa de problemas com uma conexão posterior ¿ disse o ex-presidente. Bush se gabava ainda de uma outra regalia, bem pessoal: no cardápio de bordo jamais constava brócolis, vegetal que ele detesta. ¿ Graças a Deus, eu jamais senti sequer o cheiro disso no Air Force One. Quem cuida desses detalhes pessoais nas viagens presidenciais, e que inclusive carrega pessoalmente a mala de roupas do chefe da nação, é um homem alto, de bigodinho fino, chamado Samuel Sutton Jr. ¿ o primeiro mordomo negro da Casa Branca. Ele está no posto desde a época de Bill Clinton e também serviu a George W. Bush. Obama ouviu falar tão bem dele que o manteve no posto. Ao contrário do que acontece no Brasil, e em muitos outros países, nos Estados Unidos o vice-presidente não assume o poder quando o presidente viaja ao exterior. Ele permanece presidente 24 horas por dia, despachando inclusive a bordo do Air Force One. E leva consigo a célebre maleta com os códigos secretos por meio dos quais pode determinar o disparo de armas nucleares, esteja onde estiver. Esse jato, que tem o comprimento de quase uma quadra e a altura de um prédio de seis andares, é, segundo a Boeing, o avião mais seguro do mundo. Em caso de uma catástrofe em terra, o presidente americano pode permanecer no ar por um longo período. Numa emergência dessas, não é necessário aterrissar para receber combustível. O Boeing, que tem uma autonomia de voo de 12.500 quilômetros, pode ser reabastecido no ar por aviões-tanque, habitualmente utilizados para encher os tanques de caças durante as guerras. O jato possui duas cozinhas. Elas têm capacidade de produzir refeições para cem pessoas simultaneamente, três vezes por dia, e um estoque de alimentos para 35 dias. A tripulação é composta de 26 pessoas, e o avião pode levar até 76 passageiros. Além de um gabinete de trabalho, junto a uma sala de reuniões, o presidente conta com uma confortável suíte que inclui chuveiro e um closet para troca de roupas. Não é à toa que também chamam o jato de "Taj Mahal voador". Ele é equipado, ainda, com uma pequena clínica médica com condições de, inclusive, realizar cirurgias. A Casa Branca, na verdade, possui dois desses jatos. São gêmeos com o mesmo nome: ambos são Air Force One. Uma hora de voo de cada um deles custa o equivalente a US$67 mil. Por isso, só mesmo convidados muito especiais viajam de carona. O pequeno grupo de jornalistas que sempre voa com o presidente tem de pagar: suas empresas reembolsam o governo pelo valor das passagens, que, no geral, custam mais do que num voo comercial ¿ já que, além do transporte aéreo, a Casa Branca fornece aos repórteres toda a logística de deslocamento e outros serviços nos países visitados. A atual versão do Air Force One entrou em operação em agosto de 1990, substituindo o Boeing 707 construído em 1973. A Força Aérea dos EUA, que opera e mantém a frota presidencial, já programou a compra de três novos aviões para substituir a dupla atual. O primeiro deles deverá ser entregue em 2016. Franklin Roosevelt foi o primeiro presidente americano a voar. Em janeiro de 1943, ele usou um Dixie Clipper, da PanAm, para ir a um encontro secreto com Winston Churchill em Casablanca, no Marrocos, para montar uma estratégia de guerra contra Adolf Hitler. Surgiu, então, a ideia de a Casa Branca ter um avião próprio, e um C-54 Skymaster teve seu interior transformado para uso presidencial. Uma década depois, o então presidente Dwight Eisenhower cunhou o termo "Air Force One" para denominar o avião. Até então, ele era chamado de "Vaca Sagrada". Nem o cinema ousou criar um carro como o Cadillac One Ao falar oficialmente sobre a limusine presidencial dos Estados Unidos, um Cadillac blindado que pesa pouco mais de sete toneladas, funcionários da Casa Branca se referem ao veículo como o Cadillac One. Nos registros do Serviço Secreto americano, encarregado da proteção do presidente, ele aparece sob um codinome que lembra o faroeste: "Diligência". No entanto, no dia a dia os agentes simplesmente se referem ao automóvel como "A Besta". Não é para menos. Ao explicar o apelido, eles costumam dizer que se trata de "um carro que pensa que é um tanque". O veículo, que custou US$300 mil, é totalmente lacrado inclusive contra ataques bioquímicos. Sua blindagem teria pelo menos 15 centímetros de espessura (os dados precisos não são revelados pelo Serviço Secreto). E o tanque de combustível (ele usa diesel) é à prova de vazamentos e invulnerável à explosões. A carcaça da limusine é composta por uma mistura de aço, titânio, alumínio e cerâmica. E as suas portas pesam tanto quanto as de um Boeing 757. O carro, que possui um suprimento próprio de oxigênio ¿ suficiente para os sete passageiros que é capaz de acomodar ¿ pode permanecer trancado como o cofre de um banco. Entre o assento do motorista e a sua porta repousa uma escopeta. O chefe da segurança senta-se ao seu lado, e também tem uma arma dessas ao seu alcance. Entre eles há um console com equipamentos de comunicação. Uma parede de vidro espesso os separa dos demais passageiros, na traseira: três pessoas se sentam, ali, de costas para a dianteira do carro, e de frente para o presidente e um acompanhante. À sua disposição há laptops com wi-fi e telefones de satélite. Os vidros, à prova de balas, são tão espessos que os ocupantes só ouvem os ruídos externos se ligarem os pequenos alto-falantes, que emitem os sons captados do lado de fora por minúsculos microfones. Na mala do carro, por via das dúvidas, há sempre um banco de sangue do tipo sanguíneo do presidente. Dissimulados sob o parachoque dianteiro estão dois pequenos furos por onde, se necessário, pode-se expelir gás lacrimogêneo. E mesmo que os pneus sejam explodidos, rodas de aço reforçadas por Kevlar ¿ fibra resistente à altas temperaturas ¿ permitem que o Cadillac One se lance numa fuga trafegando a até 90 quilômetros por hora. A caravana presidencial conta com vários outros veículos capazes de responder a um ataque, com homens armados com pistolas e rifles automáticos. Em alguns desses carros estão instaladas metralhadoras de alto poder de fogo. (J.M.P) Inclui quadro: Conheça o 'Air Force One'