Título: G-7 anuncia intervenção coordenada para conter alta da moeda japonesa
Autor: Carneiro, Lucianne
Fonte: O Globo, 18/03/2011, Economia, p. 30
Volume da ação não é divulgado. Com Petrobras e Vale, Bolsa de SP sobe 0,32%
RIO, TÓQUIO, PARIS e NOVA YORK. O G-7 (que reúne os sete países mais ricos do mundo) acertou ontem uma intervenção conjunta nos mercados de câmbio, a fim de segurar a valorização do iene. A decisão foi tomada em uma teleconferência dos ministros de Finanças do bloco, no início da noite. Durante o dia, a moeda teve forte alta e chegou a um patamar recorde no pós-guerra, mas a expectativa da intervenção fez a cotação recuar.
A moeda japonesa chegou a ser negociada a 76,29 ienes frente ao dólar, uma valorização de 4,5%, na abertura dos mercados asiáticos. Para analistas, teria havido operações automáticas de compra. A cotação do iene vinha sendo puxada pela expectativa de uma forte repatriação de capital para fazer frente à reconstrução do país.
Após a decisão do G-7, a moeda japonesa era negociada a 80,65 ienes frente ao dólar, um recuo em torno de 2%, nos mercados asiáticos.
A alta não é desejada pelo Japão porque, além de ser artificial, fruto de especulação, causa desequilíbrio na economia do país, atrapalhando, por exemplo, as exportações.
Japão vai emitir US$124 bi em bônus de emergência
O ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, que culpara a especulação pela alta do iene, informou que o Banco do Japão (o banco central do país) começou a vender ienes às 21h (horário de Brasília). Ele disse que os demais membros do G-7 começariam a vender a moeda assim que seus mercados abrissem. Noda não disse qual será o volume da intervenção.
- É a primeira intervenção coordenada desde 2000, então haverá um forte efeito no mercado - disse à Reuters Kathy Lien, diretora de Câmbio da corretora GFT, de Nova York. - Isso mostra a solidariedade de todos os bancos centrais em face da severidade da situação japonesa.
Com a notícia da intervenção, o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, abriu hoje em alta de 2,83%. Na quinta-feira, havia recuado 1,44%.
Em sua edição de hoje, o jornal "Sankei News" afirma que o governo do Japão vai emitir mais de 10 trilhões de ienes (US$124 bilhões) em bônus de emergência para financiar as operações de socorro. Os bônus seriam subscritos pelo BC japonês, que ontem injetou 6 trilhões de ienes (US$74 bilhões) no sistema financeiro, levando o total da semana a 34 trilhões de ienes (US$419 bilhões), na tentativa de estabilizar os mercados.
Dólar no Brasil avança 0,71%, a R$1,686
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Vale e da Petrobras garantiram a alta, ainda que o risco de uma crise nuclear no Japão continue no radar dos investidores. O Ibovespa, principal referência do mercado, subiu 0,32%, aos 66.215 pontos.
Europa e Estados Unidos se recuperaram. Londres avançou 1,75%, e Frankfurt, 2,20%. Paris teve alta de 2,43%. Em Nova York, o Dow Jones teve alta de 1,39%, e a Nasdaq, de 0,73%.
Os papéis da Vale tiveram os maiores ganhos do Ibovespa. A ação ordinária (com direito a voto) avançou 2,84%, a R$52,19, enquanto a preferencial (PN, sem voto) teve alta de 2,73%, a R$45,92. O movimento refletiu a divulgação de nota pela companhia apontando que as vendas para o Japão ainda não foram afetadas e uma correção técnica após as perdas recentes.
- Os ganhos da Vale foram a principal razão para a alta do Ibovespa - afirmou o gestor de renda variável da Máxima Asset Management, Felipe Casotti.
As ações da Petrobras também registraram alta de 1,32%, a R$32,22, a ON, e de 1,08%, a R$28,08, a PN. A alta nos preços do petróleo - o barril do Brent subiu 3,9%, a US$114,90 - e a melhoria das perspectivas para a estatal em relatório do Credit Suisse ajudaram.
Já o dólar avançou 0,71%, a R$1,686, em meio a novas expectativas de medidas do governo para conter a apreciação do real. A moeda americana chegou a subir 1,13%, devido a rumores de que o governo finalmente divulgaria as ações que vêm sendo aguardadas desde o carnaval.
(*) Com agências internacionais