Título: Obama chega sob crítica dos americanos
Autor: Castro, Juliana; Lobo, Thais
Fonte: O Globo, 19/03/2011, O País, p. 10

Presidente argumenta que, mesmo com crise na Líbia e catástrofe no Japão, é preciso buscar parcerias econômicas na AL

A viagem de Barack Obama pela América Latina tem sido alvo de fortes críticas nos Estados Unidos. Blogs e setores da mídia ligados a parlamentares republicanos condenam a saída do presidente do país num momento em que a turbulência internacional - com a crise nuclear no Japão e a crescente violência na Líbia - e a instabilidade interna - com a economia americana ainda não totalmente recuperada - exigem de Obama uma tomada de liderança.

Numa tentativa de apaziguar a insatisfação, o governo americano publicou ontem um artigo no jornal "USA Today" assinado pelo próprio Obama. No texto, ele justificou a viagem de cinco dias como uma oportunidade de estreitar laços econômicos e garantir a criação de empregos.

"Nas últimas semanas, vimos como revoltas e tragédias ao redor do mundo podem afetar nossa própria prosperidade e segurança, como eventos no exterior podem ter implicações em tudo, desde nos mercados em Wall Street até nos bolsos das famílias. E, como nação, vamos continuar a fazer tudo o que pudermos para promover a estabilidade e a democracia no Oriente Médio e ajudar a população do Japão a se recuperar do terremoto e tsunami devastadores", escreveu.

"Mas neste cada vez mais interligado e feroz mundo competitivo, nossa prioridade precisa ser a criação e manutenção de novos empregos e novas oportunidades para o nosso povo. (...) Essa é uma das razões pelas quais vou viajar para a América Latina nesta semana - para fortalecer a relação econômica com vizinhos que estão assumindo um papel crescente no nosso futuro econômico", completou.

Analistas veem em viagem símbolo da falta de liderança

Os críticos dizem, porém, que a viagem pela América Latina, incluindo Brasil, Chile e El Salvador, é um símbolo da falta de liderança de Obama num momento de caos internacional. Outros avaliam que, dos três países, apenas o Brasil, futura sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016, poderia render vantagens econômicas aos EUA.

Analistas ainda veem o tour como uma tentativa de saldar uma dívida política do presidente, que teve dificuldades para angariar votos de latinos na eleição de 2008. Na quinta-feira, o secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, minimizou as críticas e disse que Obama será capaz de lidar com as exigências de seu cargo mesmo na viagem.

- O presidente está fazendo essa viagem porque está comprometido com o crescimento da economia e o fortalecimento da nossa postura de segurança nacional - afirmou Carney. - Ele está seguro de que pode executar integralmente seu trabalho enquanto está na estrada.

O jornal "The New York Times" publicou na quinta-feira reportagem com analistas dizendo que, apesar de Obama ter dito que Lula é "o cara", os EUA têm mais a ganhar com o Brasil de Dilma Rousseff. Obama chega hoje ao Brasil, por onde começa sua visita à América Latina.

"Menos de três meses no cargo, Dilma Rousseff, que acreditavam ser um fantoche potencial de Lula, foi rapidamente movida para fora da sombra de seu mentor", diz a publicação.

Em outro trecho, o jornal afirma que Dilma parece estar determinada a recuperar o relacionamento com os Estados Unidos, desgastado por conta da posição do governo Lula em questões como a do Irã.