Título: Histórico de problemas antes de sair do papel
Autor: Tavares, Mônica; Oswald, Vivian
Fonte: O Globo, 19/03/2011, Economia, p. 36
Polêmicas marcam projetos
SÃO PAULO. Consideradas fundamentais pelo governo para atender à crescente demanda de energia no país, as usinas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau já têm um histórico de incidentes e protestos. Até o governo da Bolívia reclamou da construção das hidrelétricas do Rio Madeira, preocupado com o risco de proliferação de doenças perto da fronteira.
Em 2009, manifestantes bloquearam a estrada que dá acesso ao canteiro de obras da Jirau para denunciar uma suposta extração de madeira ilegal. O consórcio Energia Sustentável ainda é acusado de usar métodos de trabalho que remetem à época da exploração da borracha.
Já Belo Monte teve problemas no leilão que definiu os responsáveis por sua construção. O processo chegou a ser cancelado duas vezes. Após a vitória do consórcio Norte Energia, a usina teve a implantação do seu canteiro de obras embargada pela Justiça do Pará. Os trabalhos foram retomados na semana passada, após a derrubada de uma liminar. Mas a Organização dos Estados Americanos (OEA) pede ao governo brasileiro informações sobre a forma como está sendo conduzido o licenciamento para a hidrelétrica. O órgão atende a um pedido do Movimento Viva Xingu e de outras 40 entidades socioambientais.
Para o professor da Unicamp Ennio Peres da Silva, especialista em energias renováveis, esses conflitos "sempre existirão e continuarão existindo" em empreendimentos de grande porte:
- Os impactos socioambientais sempre existirão. Cabe à população definir o que é prioridade - disse.
Jorge Trinkenreich, especialista em energia da PSR Consultoria, afirmou que as polêmicas têm origem no valor oferecido pelo megawatt-hora, entre R$71 e R$78:
- Com esse preço baixo, os consórcios vão buscar reduzir custo em todas as áreas, inclusive na trabalhista. É a única forma de conseguirem uma rentabilidade condizente com o capital investido. (Lino Rodrigues)