Título: Iene recua até 3,4% graças à intervenção do G-7
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Fonte: O Globo, 19/03/2011, Economia, p. 43

Câmbio japonês tem maior queda em dois anos frente ao dólar. No Brasil, moeda americana cai 0,94%, a R$1,687

Da Bloomberg News

NOVA YORK e RIO. O iene registrou ontem sua maior queda em dois anos frente ao dólar devido à intervenção cambial feita pelos bancos centrais do G-7, que reúne os sete países mais ricos do mundo. Os BCs entraram nos mercados vendendo iene, conforme acertado em teleconferência do G-7 na quinta-feira.

A moeda japonesa recuou 2,1% frente ao dólar, para 80,58 ienes, no fechamento em Nova York. Na véspera, atingira o patamar recorde de 76,25 ienes por dólar. Desde o terremoto, no último dia 11, a moeda japonesa teve valorização de 5,2%. Em relação ao euro, a queda foi de 3,4%, a 114,31 ienes.

A alta não é desejada pelo Japão porque, além de ser artificial, fruto de especulação, causa desequilíbrio na economia do país, atrapalhando, por exemplo, as exportações.

- O G-7 deu total apoio para ajudar a estabilizar o mercado e a evitar que o iene se valorizasse mais - disse Aroop Chatterjee, estrategista de câmbio do Barclays. - Com as autoridades sinalizando novos afrouxamentos monetários, esperamos que o iene continue a enfraquecer.

A intervenção do G-7 fez o dólar recuar no mercado brasileiro. A queda foi de 0,94%, para R$1,687, a maior desde 3 de dezembro. Na semana, no entanto, o dólar fechou com valorização de 0,24%.

Para Nomura, Japão vai perseguir patamar de 80 ienes

Uma fonte do governo japonês disse à imprensa local que o Banco do Japão (o BC do país) teria vendido pouco menos de 2 trilhões de ienes (US$25 bilhões) nos mercados de câmbio.

- O Banco do Japão tem aprovação do G-7 para prosseguir com uma operação muito maior - disse Jens Nordvig, diretor-gerente de Câmbio em Nova York da corretora Nomura, a maior do Japão. - É bastante provável que o Banco do Japão continue no mercado e defenda o patamar de 80 (ienes por dólar) com muito mais persistência.

Para o JPMorgan Chase, no entanto, a queda do iene frente ao dólar será temporária se os EUA não elevarem seus juros, hoje entre zero e 0,25%. "A história não está ao lado do G-7. As grandes intervenções conjuntas - em 1987 e 2000 - só mudaram a tendência quando tiveram o reforço de apertos monetários de bancos centrais, então o Fed (Federal Reserve, o BC americano) vai anular o que o G-7 fizer", afirmou em nota John Normand, diretor de Estratégia Cambial do banco em Londres.

O ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, afirmou que as vendas de iene são uma tentativa de limitar o estrago que uma moeda valorizada pode ter na economia do país.

O G-7 não fazia uma intervenção conjunta nos mercados desde setembro de 2000, quando agiu para resgatar o euro, que estava despencando. Já o Japão entrou nos mercados em setembro do ano passado, quando vendeu 2 trilhões de ienes.

Ontem, o BC japonês ainda injetou 4 trilhões de ienes (US$50 bilhões) no sistema financeiro. Com isso, nesta semana o total chega a 38 trilhões de ienes (US$470 bilhões).

No Brasil, segundo o gerente da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, além do reflexo da ação do G-7, a queda do dólar foi resultado de um ajuste depois da alta de 0,71% da última quinta-feira, quando a moeda subiu em meio a rumores de que o governo divulgaria medidas aguardadas desde o carnaval, para conter a alta do real.