Título: Maioria dos trabalhadores já voltou para casa
Autor: Tavares, Mônica; Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 22/03/2011, Economia, p. 23

Obras do PAC terão normas específicas

PORTO VELHO (RO) e SÃO PAULO. A situação em Porto Velho começa a voltar à normalidade depois da rebelião dos trabalhadores da Camargo Corrêa que parou as obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, que fica a 130 quilômetros de Porto Velho. A grande maioria dos trabalhadores já voltou para as suas cidades. Loredana Moura era a única mulher que ainda esperava transporte na noite de domingo num dos alojamentos da empresa. Desde quinta-feira, ela aguardava com o marido Nailton Carlos Sousa, que também trabalha na usina, alguma informação de como chegaria a São Luis Gonzaga, a 700 quilômetros de Porto Alegre:

- Ninguém informa nada para a gente. Andamos 12 quilômetros para sair do canteiro. Foi um corre-corre danado. Os homens diziam que iam pegar a gente, xingavam a gente. Um monte de mulher se escondeu no mato.

Ontem às 9h, os dois conseguiram embarcar para Brasília e só devem chegar hoje à sua cidade natal. Loredana e Nailton são pais de Hellen, de 8 anos, que não veem há nove meses, quando vieram trabalhar na usina. Ela como entregadora de ferramentas e ele como pedreiro. No confronto, Loredana perdeu celular, mas conseguiu manter o ursinho de pelúcia que comprara para a filha com o salário de cerca de R$1 mil.

Representantes da Força Sindical, da UGT e da Camargo Corrêa se reuniram ontem à tarde, a pedido da empreiteira, para negociar a situação dos trabalhadores de Jirau. No encontro, ficou decidido que representantes das empresas que formam o consórcio responsável pela construção da usina e dos trabalhadores vão se reunir na próxima terça-feira, dia 29, em Brasília, para colocar no papel normas únicas de relações trabalhistas para funcionários de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A informação é do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. A reunião em Brasília será mediada pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Com isso, as centrais sindicais cancelaram a manifestação que estava programada para hoje à tarde em São Paulo, em frente à sede da Camargo Corrêa.