Título: Da pirâmide ao losango
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 23/03/2011, Economia, p. 23

Ascensão social muda desenho de classes no Brasil

SÃO PAULO. A antiga pirâmide social está virando um losango. Pesquisa divulgada ontem pela Cetelem BGN, financeira do banco francês BNP Paribas, mostra que a classe C recebeu mais 19 milhões de brasileiros vindos das classes D e E em 2010. Agora, já são mais de 101 milhões de pessoas na classe média, o equivalente a 53% da população total do país (de 191,79 milhões) - contra 49% em 2009 e 34% em 2005.

Com isso, a base da pirâmide social do Brasil encolheu e já está quase do tamanho do topo. Há cinco anos, as classes D e E respondiam por 51% da população brasileira. Hoje, são 25%, ou 47,9 milhões, quase o mesmo número das classes A e B (42,2 milhões)

Só no ano passado, 12 milhões alcançaram as classes A e B, com participação agora de 22% no total.

Segundo o presidente da Cetelem, Marcos Etchegoyen, mesmo com a crise, a classe C continuou em destaque, comportamento que vem se construindo ao longo dos últimos quatro anos e mostra reflexos diretos no crédito, consumo e nos planos para o futuro:

- Aposto na tendência de mudança desse formato (de pirâmide para losango), mesmo depois das medidas macroprudenciais (para frear o consumo) do governo, porque o consumo vem se mantendo, apesar do crédito mais caro.

Dos 1.500 entrevistados em 70 cidades de todas as regiões do país, mais de 50% dos brasileiros esperam novo aumento do padrão de vida este ano. No ano passado, a renda média familiar mensal aumentou principalmente nas classes D e E. Neste estrato, o ganho ficou em R$809, valor 48,44% maior do que em 2005. Nas classes A e B, foi de R$2.983 e na C, de R$1.338.

Quanto à renda disponível (rendimento total da família menos os gastos), a alta em relação a 2009 foi de 45,22%, e chegou a R$200,64, na média. Especificamente nas classes D e E, a diferença é gritante. Em 2005, não sobrava renda para esse estrato, que era negativa em R$17. Porém, em 2010, subiu de R$61 para R$104.

A parcela dos entrevistados que afirmou que vai gastar mais nos 12 meses seguintes passou de 42%, em 2009, para 48% em 2010. Já o percentual dos que pretendem poupar mais também cresceu, mas em menor proporção, de 76% para 79%.