Título: Os movimentos sociais não vão participar
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 26/03/2011, O País, p. 12
Entrevista: Celso Lacerda
Escolhido ontem pela presidente Dilma Rousseff, o novo presidente do Incra, o agrônomo e matemático Celso Lacerda, pretende mudar a imagem da reforma agrária no país. O novo dirigente do instituto quer mostrar que a questão agrária não é só conflito e violência no campo. Antes de entrar para o governo Lula como superintendente do Incra no Paraná, Lacerda atuou durante 20 anos como assessor muito próximo a movimentos sociais, como o MST, na implantação de assentamentos da reforma agrária no estado. Sua indicação tem o apoio dos servidores do Incra.
Quais os principais desafios do senhor como presidente do Incra?
CELSO LACERDA: Temos que cumprir o que a presidente Dilma deseja, uma gestão técnica. Por isso fui escolhido. Tenho 25 anos de carreira na área agrária e agrícola do país. Ocupei vários cargos, trabalhei com cooperativas, em programas de assistência técnica e estive no Incra durante todo o governo Lula.
O senhor já definiu sua linha de trabalho, algum objetivo específico de atuação à frente do órgão?
LACERDA: Vou sentar com o ministro (Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário) e com a presidente Dilma e traçaremos detalhadamente as diretrizes e o planejamento no Incra. O grande diferencial do que foi para o que será é o maior ajuste e controle do trabalho. E também entrar na rota de desenvolver os assentamentos para que passem a ser agentes que contribuam para a produção de alimentos no país, o que já vem sendo feito. Vamos reforçar também a qualificação do pessoal.
E sobre os conflitos no campo?
LACERDA: É preciso mudar a imagem da opinião pública sobre reforma agrária. Não é uma imagem muito boa, só se reproduz os conflitos. O desafio é grande, mas dá para mudar isso.
E as escolhas dos superintendentes? Os movimentos sociais terão cargos em sua gestão à frente do Incra?
LACERDA: Os movimentos não vão participar. As indicações serão prioritariamente técnicas. Já conversei isso com o ministro. E essa decisão (escolha dos superintendentes) tem que ser rápida. Não vamos levar meses para definir. Já se passaram três meses e é preciso recuperar esse tempo perdido. Como no governo Lula, vamos manter diálogo constante com os movimentos e, obviamente, não vamos fazer tudo que eles querem. Mas o diálogo vai continuar.