Título: Tombini admite impacto residual das commodities
Autor: Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 26/03/2011, Economia, p. 34

SÃO PAULO. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, admitiu ontem que os recentes choques nos preços das commodities internacionais, como petróleo e alimentos, ainda terão ¿impactos residuais¿ sobre a inflação no país nos próximos meses. Para ele, os efeitos desses aumentos sobre os preços, em especial dos alimentos, são os que motivam maior ¿desconforto da sociedade¿ sobre a disposição do governo em controlar a inflação. A tendência, disse, é que essas pressões de alta se esgotem a curto prazo.

¿- Impactos residuais ainda estão por vir. Ou seja, é possível que haja uma piora marginal na percepção da inflação. Mas, na ausência de novos choques, esse processo tende a se esgotar no curto prazo ¿-- disse Tombini, em evento em São Paulo.

Ele lembrou que o ¿tema inflação¿ voltou a ser uma preocupação global e que quanto mais intenso e duradouro forem os choques de preços, mais tempo será necessário para que o BC ajuste a inflação à meta de 4,5%.

O presidente do BC creditou também parte das pressões inflacionárias aos preços administrados (tarifas públicas) no início do ano e aos serviços. Mas, diferentemente de petróleo e alimentos, com relação direta com problemas internacionais, o aumento nos preços dos serviços seriam fruto de ¿uma mudança estrutural da nossa economia¿.

Sobre a tragédia no Japão, com terremoto, tsunami e crise nuclear, Tombini afirmou que os seus desdobramentos ampliam as incertezas sobre a recuperação da economia global e a alta dos preços das commodities ou das taxas de câmbio. A crise nos países árabes, segundo ele, também funciona como fator de pressão sobre os preços do petróleo, impactando a inflação e o crescimento mundial.