Título: Portugal nega precisar de pacote de ajuda
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Fonte: O Globo, 26/03/2011, Economia, p. 34

BRUXELAS e LISBOA. O premier português, José Sócrates, voltou a afirmar que o país não necessita de um pacote de ajuda, um dia depois de o Conselho Europeu aprovar o aumento de seu fundo de resgate financeiro para 440 bilhões em junho, quando suas regras serão definidas. Bruxelas estima que um socorro ficaria em 75 bilhões, mas analistas falam em até 100 bilhões. A agência de classificação de risco Standard & Poor¿s reduziu ontem a nota de crédito de Portugal de ¿A-¿ para ¿BBB¿, a dois níveis de junk (altamente especulativo).

¿ Portugal não precisa de nenhum fundo de resgate ou de ajuda externa e vai defender-se ¿ disse Sócrates, garantindo que o país tem bons indicadores. ¿ Portugal tem condições para se financiar no mercado.

O país terá de pagar, entre 11 de abril e 11 de junho, 9,5 bilhões em títulos da dívida. O vencimento de junho é o maior: 4,9 bilhões, com 2 bilhões em juros. Até o fim do ano, o ritmo é de 1 bi por mês.

Sócrates renunciou na quarta-feira depois de não conseguir aprovar novos cortes, mas permanece à frente do governo até as eleições, que seu partido, o PS, propôs que sejam em 5 de junho. Já o PSD, de oposição, defende a data de 29 de maio.

O futuro governo tem muito trabalho à frente. Na reunião do Conselho Europeu, o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, pediu a Lisboa que faça novos esforços de ajuste orçamentário ¿governe quem governe¿. Já o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, reiterou que Portugal precisa confirmar as propostas acertadas com a Comissão Europeia.

Portugal acabou fazendo a cotação do petróleo recuar. O barril do Brent caiu 0,11%, a US$115,59, e o do leve americano, 0,19%, a US$105,40.