Título: Para ministro, onda de greves poderia atrasar obras da Copa
Autor: Farah, Tatiana
Fonte: O Globo, 25/03/2011, Economia, p. 30
Operários destroem instalações em outra usina hidrelétrica do PAC
SÃO PAULO, BRASÍLIA, RIO e RECIFE. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou ontem que está preocupado com eventuais atrasos no calendário de obras da Copa de 2014 por conta da onda de greves de trabalhadores nas construções do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo não sendo obras ligadas ao evento esportivo, as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, ligaram o sinal de alerta no governo, já que sindicatos estariam por trás dos violentos protestos de seus operários. Para evitar mais problemas, o governo quer firmar um pacto com empresas, sindicatos e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Ontem, houve quebra-quebra e incêndio em outra obra do PAC, a Usina São Domingos, no Mato Grosso do Sul.
- Estamos extremamente preocupados com esses tumultos, uma situação explosiva que se dá com a aglomeração de operários. Há um procedimento equivocado das empresas nas relações de trabalho e problemas de alojamento e alimentação. Queremos que as empresas façam um pacto com os sindicatos e o governo e que deem um tratamento adequado aos trabalhadores - disse Carvalho, que criticou as disputas regionais entre centrais sindicais. - Queremos que elas se comprometam a estabelecer uma relação única em cada local. As disputas estão ajudando a fermentar esse processo. Por isso, a ideia do pacto, para que não haja nas obras da Copa atrasos como os que estão ocorrendo agora.
Sem previsão de retomada dos trabalhos
Na tarde de ontem, um grupo de trabalhadores das empresas Engevix e Galvão, responsáveis pela construção de São Domingos, começou um quebra-quebra e ateou fogo aos seis pavilhões usados para alojar os mil trabalhadores da obra. O centro ecumênico e o refeitório também foram destruídos.
Suspensas na semana passada, por causa de protestos de operários insatisfeitos com as condições de trabalho, as obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, ainda não têm qualquer previsão de retomada.
Em uma audiência na Justiça, o MPT e a Camargo Corrêa não chegaram a um acordo sobre a situação dos operários que abandonaram Jirau. Temendo demissões sob a alegação de abandono de trabalho, procuradores querem que os vínculos empregatícios sejam mantidos até o retorno do pessoal ao canteiro de obras. A empreiteira se opõe.
Já o consórcio responsável por Santo Antônio adiou o reinício dos trabalhos, previsto para ontem, por conta de uma nova manifestação de operários. De acordo com empresas, a construção só será retomada depois que a ordem for restabelecida.
Em Pernambuco, as obras da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica Suape também estão suspensas, devido a uma greve que deverá ser julgada na próxima terça-feira.
COLABORARAM: Mônica Tavares, Ramona Ordoñez e Letícia Lins