Título: É um número impressionante
Autor: Almeida, Cássia ; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 27/03/2011, Economia, p. 35
LETÍCIA NOBRE Doutora em Saúde Pública e diretora de Vigilância e Atenção à Saúde do Trabalhador da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, Letícia Nobre considera "impressionante", as 40 mortes em 21 obras do PAC. Diz que, assim como há controle dos danos ambientais das obras, governo e empresas deveriam ter amarrado um controle da segurança no trabalho.
São 40 mortes em 21 obras. Esses projetos, sendo contratados pelo governo, não deveriam ter um controle maior nas questões de segurança no trabalho?
LETÍCIA NOBRE: É um número impressionante. As obras do PAC estão reproduzindo o que já existe na construção civil. Mas, como há um controle ambiental, deveria ter sido amarrada uma preocupação maior com a segurança. A capacidade de ação de Ministério do Trabalho e do SUS não é muito grande. Sempre se espera que alguém morra na construção civil. Mas não é para morrer. Deveria haver uma preocupação muitíssimo maior com saúde.
São obras tocadas por grandes empreiteiras. Não deveria ter um grau de segurança maior?
LETÍCIA: Seria de esperar que sim. Têm mais condições e os números deveriam ser menores. Mas há a subcontratação, a terceirização e a quarteirização, que diminuem a segurança.
O que o governo deveria fazer?
LETÍCIA: São obras complexas, e é difícil fazer a gestão de segurança e saúde. Além das mortes, há os acidentes não fatais. Deveria haver um comitê gestor para esses contratos. É um problema de saúde pública que não desmerece a importância do PAC. O país terá um avanço maior com as obras de infraestrutura e de saneamento. Isso vai fazer a maior diferença na saúde da população. Mas é preciso que haja responsabilidade dos órgãos públicos e das empresas privadas que estão executando essas obras.