Título: Aliados detêm bombardeio de Kadafi no oeste
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Fonte: O Globo, 27/03/2011, O Mundo, p. 43
MISURATA, Líbia. Forças leais ao ditador Muamar Kadafi bombardearam Misurata, única grande cidade ao oeste de Trípoli controlada por rebeldes, usando morteiros e artilharia. Os ataques, concentrados na zona portuária, só cessaram ao anoitecer, quando aviões da coalizão internacional sobrevoaram aquele território.
As Forças Armadas francesas destruíram cinco aviões militares e dois helicópteros líbios que estavam em solo, naquela cidade.
- Parece que o foco de Kadafi agora é Misurata ? avalia um porta-voz dos rebeldes, identificado apenas como Saadoun. ? Veremos um massacre após o outro por lá. Ele tirou suas forças de Ajdabiya e Brega (cidades a leste de Trípoli) para tentar garantir todo o controle do oeste.
Somente na última semana, 115 pessoas foram mortas nos confrontos em Misurata. Apesar da contraofensiva aliada, as tropas de Kadafi ainda teriam controle de algumas entradas da cidade, e seus francoatiradores disparam contra os civis, do alto de prédios. A cidade está sem luz, água ou telefone.
PENTÁGONO QUER AUMENTAR PODER DE FOGO Diante da resistência do governo líbio, oficiais do Pentágono cogitam expandir o poder de fogo empregado no país.
- A pressão sobre Kadafi e seu regime está crescendo ? disse o presidente Barack Obama, em seu pronunciamento semanal no rádio, que entrou no ar pouco após a retomada rebelde de Ajdabiya.
Entre as armas que podem ser usadas na Líbia estão a aeronave Air Force AC-130, armada com canhões que disparam das portas laterais, dizem fontes. Outra possibilidade é o uso de helicópteros e aviões que voam mais baixo e lentamente, mas com poder de detecção maior do que os jatos
Em um comunicado ontem por e-mail, Obama revelou que os EUA estão transferindo o controle da zona de exclusão aérea "aos aliados da Otan, incluindo parceiros árabes, como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos". Segundo o general Carter Ham, chefe do comando dos EUA na África, a Otan deve assumir a operação na Líbia ainda hoje, com o general canadense Charles Bouchard à frente.
Ontem, uma mulher foi retirada à força por agentes do governo e por garçons do restaurante do Hotel Rixos, em Trípoli, quando tentava contar a jornalistas estrangeiros que teria sido estuprada por tropas de Kadafi. Aparentemente atordoada, Iman al-Obeidi invadiu o restaurante, gritando que havia sido detida na quarta-feira, num posto de controle em Trípoli, e depois amarrada e estuprada por 15 soldados. O motivo da violência, disse, é por ser de Benghazi, bastião dos opositores a Kadafi. Os jornalistas tentaram protegê-la e alguns foram feridos. Uma câmera da CNN foi quebrada.