Título: Ponto estreia com fraude no Senado
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Fonte: O Globo, 02/04/2011, O País, p. 3

Servidora marca presença em novo sistema eletrônico e volta para casa

BRASÍLIA. O Senado implantou um novo sistema de ponto eletrônico biométrico para registro de presença na Casa, mas quase 18% dos 6.027 funcionários estão dispensados da medida. E, mesmo assim, entre os 4.967 obrigados a usar o equipamento, não há controle total de que o ponto significará a presença constante do funcionário na Casa. O custo para a implantação do equipamento foi de cerca de R$1,5 milhão.

O "Jornal Nacional", da TV Globo, flagrou ontem, primeiro dia de uso do ponto biométrico, uma funcionária batendo o ponto e voltando para sua casa imediatamente. Segundo o "JN", a funcionária, que trabalha há 20 anos no Senado, registrou o ponto e, às 8h, já estava em seu carro, de volta à sua residência, num bairro nobre de Brasília. Na sala onde trabalha, colegas informaram que ela ainda não havia chegado para o expediente. O telejornal mostrou ainda o caso de outra funcionária que, desde fevereiro, bate o ponto e vai embora em seguida.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), determinou que as denúncias de burla ao ponto sejam investigadas.

- Vamos ter que responsabilizar aqueles que permitirem fatos dessa natureza, porque isso é enquadrado como crime funcional - disse.

Segundo a assessoria do Senado, dos 6.027 funcionários efetivos e comissionados do Senado, 1.060 não terão que bater ponto, sendo que a grande maioria destes (1.010) trabalham nos gabinetes dos senadores, em Brasília ou nos estados. Todos os 647 funcionários que trabalham nos estados não precisam bater ponto. A frequência é atestada pelo gabinete do senador, e a responsabilidade pela veracidade das informações é também do senador.

Nos gabinetes dos 81 senadores em Brasília, 363 funcionários, entre concursados e comissionados, estarão livres do ponto biométrico. Entre os concursados que trabalham na Casa, 50 também estarão dispensados. A justificativa é que ocupam cargos de direção, e, em tese, têm que estar disponíveis a qualquer hora, sem horário fixo como os demais.

Nos 78 pontos coletores, 4.967 funcionários do Senado terão que registrar o ponto biométrico, na entrada e na saída. A jornada no Senado varia: alguns cumprem seis horas corridas, outros oito horas, com intervalo de almoço.