Título: Cargos foram loteados por indicações políticas
Autor: Novais , Pedro
Fonte: O Globo, 03/04/2011, O País, p. 10

BRASÍLIA. Três meses depois de ter chegado ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff ainda não conseguiu fechar a equação política de seu governo. Distribuiu os ministérios entre os partidos aliados, aceitando até indicações nada técnicas, como a de Pedro Novais, do PMDB do Maranhão, para o Turismo. Mas comprou briga com parte do PMDB contra a manutenção da influência de Eduardo Cunha (RJ) em Furnas. Já no preenchimento dos cargos de segundo escalão, ainda tenta nomes mais técnicos, mas começa a ceder.

No Palácio do Planalto, a aposta é que a pesquisa CNI/Ibope, com resultado muito favorável a seu governo, deve fortalecer a posição da presidente na queda de braço com os partidos. Mas, no núcleo do governo, já há o reconhecimento de que essa aprovação não será eterna e que, por isso mesmo, será preciso fazer concessões aos partidos aliados. Por isso, aos poucos, Dilma começa a ceder às nomeações políticas também para cargos técnicos do segundo escalão.

Em várias ocasiões, na campanha e depois de eleita, Dilma disse que atenderia as indicações dos partidos políticos, porque comanda um governo de coalizão, mas que não nomearia pessoas sem a reconhecida capacidade técnica para a função. Ela disse que só colocaria limite para as indicações nas agências reguladoras.

Já na montagem do primeiro escalão teve que engolir indicações polêmicas. Além de Pedro Novais no Turismo, área importante nesses anos que antecedem a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, botou no Ministério das Cidades um indicado do PP, o ex-líder da bancada, deputado Mário Negromonte (BA), quando ela preferia manter o ex-ministro Márcio Fortes.