Título: Volume de negócios dispara na Bolsa
Autor: Nogueira , Danielle
Fonte: O Globo, 06/04/2011, Economia, p. 22

RIO e SÃO PAULO. O anúncio de Murilo Ferreira como novo presidente da Vale fez disparar o volume de negócios com ações da companhia. Ontem, as transações com os papéis da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - incluindo ordinários (com direito a voto) e preferenciais (sem voto) - chegaram a R$1,580 bilhão, muito acima da média diária de R$935,678 milhões no ano. Na segunda-feira, quando circulavam rumores de que a Vale anunciaria quem seria o próximo presidente, o volume já tinha subido para R$1,260 bilhão.

Além disso, as ações fecharam em alta - após avançarem até 1,2% durante o pregão -, indicando a boa avaliação do mercado para a notícia, apesar da surpresa, já que se esperava o nome de Tito Martins, atual presidente da Inco. Vale ON subiu 0,46%, para R$54,40, enquanto Vale PNA ganhou 0,12%, a R$48,30. Os American Depository Receipts (ADRs, espécie de recibos de ações) na Bolsa de Nova York tiveram valorização de 1,15%, a US$34,27.

A escolha de um nome com perfil técnico e experiência na empresa, além do processo rápido de decisão, foram pontos positivos apontados pelo mercado. Mas analistas dizem que o risco de interferência política do governo nas decisões da Vale continua e isso será acompanhado de perto.

- O nome de Murilo casou como uma luva para gregos e troianos. Ele tem histórico na Vale e bom relacionamento com a presidente Dilma da época em que ela era ministra de energia e ele presidia a Albras. Poderá explicar ao governo, por exemplo, por que não é viável a Vale investir em siderurgia - afirmou o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

Questionada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que não realizou contatos com a Vale sobre o volume de negócios da empresa na Bolsa, mas que, independentemente do anúncio da substituição na presidência da companhia, acompanha a movimentação dos papéis da Vale, como faz com papéis de demais companhias negociados na BM&FBovespa.

Temor de interferência política ainda no radar

A analista Daniella Maia, da Corretora Ativa, disse que Ferreira deve servir como mediador entre o governo e a companhia. Para ela, o novo presidente pode até fazer algumas concessões ao governo, mas não se desviará do foco técnico:

- Ele vai buscar o que a Vale precisa de melhor e agradar ao mesmo tempo o governo. São mais de dez anos dentro da Vale, e o papel será de mediador. O mercado gostou da notícia.

Mais cauteloso que os demais, o analista da Link Investimentos Leonardo Alves apontou que o mercado vai acompanhar de perto as decisões do executivo, e a tendência é que o temor de influência política continue rondando a empresa:

- Cabe ver como será recebido pela diretoria e como serão tomadas as decisões. Alguma mudanças devem ocorrer, como na contratação de navios.

Ontem, o Ibovespa, referência do mercado, subiu 0,19%, aos 69.837 pontos. Já o dólar fechou estável, a R$1,609 - menor nível desde 8 de agosto de 2008 -, depois de dois leilões do Banco Central de compra da moeda americana no mercado à vista.