Título: Agência eleva nota do Brasil
Autor: Carneiro, Lucianne; Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 05/04/2011, Economia, p. 19
PIB maior faz avaliação mudar, mas Fitch alerta para dívida do governo
RIO e BRASÍLIA. A agência de classificação de risco Fitch elevou a nota de risco soberano do Brasil de "BBB-" para "BBB", com perspectiva estável. O país, que já tem grau de investimento desde maio de 2008, subiu mais um degrau na avaliação devido à taxa de crescimento potencial da economia para este ano, entre 4% e 5%. Contribuíram também fatores como os cortes nos gastos em 2011 e a redução nos empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES. A Moody"s também já afirmou que pode aumentar a nota do Brasil na primeira metade deste ano e a Standard & Poor"s mantém perspectiva estável para a nota "BBB-".
Segundo Rafael Guedes, diretor-executivo da Fitch Ratings no Brasil, o ritmo do crescimento do país deverá permanecer forte, com o avanço da demanda doméstica e o crescimento da classe C. Após avanço de 7,5% em 2010, a Fitch espera uma "aterrissagem suave" da economia, com expansão de 4% no ano. Assim, terá mais capacidade de absorver choques externos.
- A média de crescimento na última década ficou entre 2% e 3%. Hoje, há um potencial maior. Mas é preciso reduzir o endividamento bruto do governo e elevar investimentos - diz.
Tombini: avanços devem continuar em ambiente de estabilidade
Rubens Penha Cysne, diretor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que a avaliação poderia ser mais positiva se o Brasil estivesse mais centrado em ações de correção fiscal.
Roberto Gonzalez, da Trevisan Escola de Negócios, disse que a Copa do Mundo e as Olimpíadas farão com que o país aloque mais recursos em infraestrutura, tornando-o mais atraente para investimento externo.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a elevação da nota do Brasil pela Fitch representa um reconhecimento de que a economia é sólida e não apresenta riscos.
- Esse upgrade da Fitch é o reconhecimento de que a economia está cada vez mais sólida, não apresenta riscos e está sendo bem avaliada inclusive pelas empresas de rating.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também mencionou o reconhecimento, mas deixou claro, em nota, que o upgrade não muda a orientação da política do BC: "As boas notícias, contudo, não diminuem a determinação do BC em continuar trabalhando para que os avanços obtidos até agora continuem a ocorrer em um ambiente econômico de estabilidade monetária e solidez financeira".
COLABORARAM Martha Beck e Geralda Doca