Título: Diretor brasileiro do FMI critica estudo de controle de capitais
Autor: Carneiro, Lucianne; Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 05/04/2011, Economia, p. 19
Representante do país diz que entidade não está preparada para fazer recomendações a emergentes
WASHINGTON. O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulga hoje um estudo sobre controle de capitais cuja elaboração foi marcada por acirrados debates entre diretores da entidade. As discussões marcaram as diferentes posições de países avançados e nações emergentes. Esses últimos conseguiram impedir a imposição de códigos de conduta para suas políticas econômicas. Para o FMI, o estudo representa uma iniciativa importante, que faz uma radiografia de experiências de controle de capitais. Mas, para alguns países, inclusive o Brasil, o FMI errou o foco. Paulo Nogueira Batista Jr., diretor-executivo para o Brasil e oito países da América Latina e do Caribe, disse, em caráter pessoal, que o documento é "tecnicamente fraco" e repleto de "problemas de análise".
- O documento avalia seis ou sete casos, é uma amostra muito restrita. Seria interessante se o FMI examinasse os problemas criados pelos capitais e as experiências de diferentes países na administração desses fluxos grandes e voláteis. Não é hora de pensar em fazer recomendações. A instituição não está preparada nem tem mandato legal para isso - disse Batista Jr., acrescentando que o estudo dá pouca atenção a países que promovem fluxos de capital:
- Há países que adotam políticas monetárias ultraexpansivas para sair da crise, provocam uma expansão de liquidez em escala global e, no FMI, dizem às nações que tentam se defender dessa tsunami monetária internacional que é preciso criar um código de conduta para suas defesas. Não se fala do problema na origem.