Título: Governo admite equívoco em voo de Dilma
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 08/04/2011, O País, p. 11
Irmã de comissária e amiga do comandante, professora pegou carona no avião da presidente em viagem no carnaval
BRASÍLIA. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência admitiu ontem que "houve um equívoco" no procedimento que permitiu o embarque de uma pessoa estranha à comitiva da presidente Dilma Rousseff nos voos de ida e volta entre Brasília e Natal, no carnaval. Mas, segundo o GSI, a presença da professora de educação física Amanda Corrêa Patriarca no avião presidencial não quebrou as normas de segurança. A passageira, que é irmã da comissária de bordo Angélica Patriarca, foi identificada e submetida "aos procedimentos usuais de segurança", segundo o GSI.
A presença da professora nos voos de Dilma foi revelada ontem pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Segundo a reportagem, o comandante do voo, coronel-aviador Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, teria autorizado a carona, mas a presidente não saberia da presença da professora em sua comitiva. Dilma passou o carnaval descansando no Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno, base da Aeronáutica, a 13 quilômetros de Natal.
A professora ficou hospedada no mesmo hotel que a tripulação do voo e teria pagado pela cama extra colocada no quarto que ocupou. Ela disse ao jornal que o comandante é amigo de sua família e, por isso, autorizou sua viagem no Airbus presidencial, mas que só recebeu o sinal verde na véspera do embarque, no fim da tarde de 4 de março.
Na viagem, a professora usou uma mala do Grupo de Transporte Especial (GTE), que é utilizada pela comitiva presidencial, para não chamar a atenção. Na volta, a bagagem teria sido propositalmente etiquetada para o gabinete de Dilma, de forma a revelar a carona.
A notícia causou constrangimento no Palácio do Planalto, obrigando o GSI a divulgar nota de esclarecimento. Fontes do Palácio disseram que as autorizações de convidados nos voos têm de ser feitas por escrito pelo Gabinete presidencial. Neste caso, como o pedido foi feito de última hora, o chefe de Gabinete da presidente, Giles Azevedo, autorizou verbalmente a carona para a professora.
Nos bastidores do Palácio, a avaliação é que a informação da carona foi vazada pelos militares da Aeronáutica que trabalhavam no serviço de bordo do avião presidencial, mas foram substituídos, no início do governo Dilma, por mulheres. Com isso, os comissários perderam as diárias que reforçavam seus vencimentos. São nove sargentas da Aeronáutica que passaram por três meses de treinamento para atender a presidente.
O coronel Lyra vai comandar o voo presidencial para a China. Dilma embarcará hoje à noite para Pequim e voltará ao Brasil no próximo dia 18. A Aeronáutica entende que o coronel não cometeu irregularidade alguma ao permitir a carona. Segundo um oficial, o embarque foi autorizado previamente.
COLABOROU: Jailton de Carvalho