Título: Casal de procuradores decide quem vai ser julgado no STF
Autor: Brígido, Carolina ; Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 17/04/2011, O País, p. 13

BRASÍLIA. Os dois cultivam o hábito de falar baixo, são avessos a badalações e quase nunca aparecem juntos em público. Para alguns, são um casal comum. Outros nem sabem que são marido e mulher. Mas quem conhece os meandros do poder em Brasília não tem dúvida: o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sua mulher, Cláudia Sampaio Marques, subprocuradora, formam uma dupla temida. Por um motivo simples: concentra-se nas mãos dos dois o poder de decidir se deve ou não ser aberta investigação criminal contra políticos com foro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Pela lei, cabe ao procurador-geral opinar sobre arquivamento ou abertura de processo contra deputados federais, senadores e até contra a presidente da República. Ou seja, uma simples canetada de Gurgel pode limpar ou manchar a biografia dos políticos mais influentes do país. Cláudia também detém parte desse poder. Atua nos casos mais espinhosos no STF, função que já exercia antes de o marido virar o chefe do Ministério Público Federal.