Título: Professores também sofrem com agressões
Autor: Berta, Ruben
Fonte: O Globo, 17/04/2011, Rio, p. 16
Agressões estão longe de ser um problema que se restringe aos alunos nas escolas do Rio. Um serviço de recebimento de denúncias criado por uma diretoria regional do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) no ano passado mostra que, apenas na Tijuca, no Méier e em Inhaúma, há em média dois casos por mês de profissionais que relatam problemas de violência dentro das salas de aula. As consequências são graves ¿ podem provocar até o afastamento dos docentes. Uma professora do primeiro segmento do ensino fundamental de uma escola municipal no Jacarezinho está há um ano sem lecionar, tentando se recuperar da perseguição que sofreu de dois estudantes.
¿ Eu vim de uma outra escola e esses alunos me rejeitaram. Um deles agia como um líder e dava ordem para que os outros ficassem atirando objetos em mim enquanto eu tentava dar aula. Sofri ameaças de morte e ele ameaçava bater nos colegas que não me agredissem como ele queria.
A rotina de xingamentos, ameaças e agressões fez com que a professora passasse a ter sintomas como enjoos, dores de cabeça e dificuldade para dormir. Ela resolveu que teria de se afastar para se tratar quando jogou o carro que dirigia na calçada após ouvir um barulho e achar que alguém estava jogando uma cadeira em cima dela.
Em 2006, em outra escola, uma professora quase foi vítima de um envenenamento por parte de um grupo de alunas que queria matar a diretora da unidade. Ela não tomou café ao perceber um cheiro estranho e avisou a direção. Havia sido colocado chumbinho, entre outras substâncias.