Título: Em Guarulhos, caos do táxi às filas
Autor: Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 17/04/2011, Economia, p. 35
SÃO PAULO. O maior terminal de passageiros do país, o aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, chegou ao seu limite. Engarrafamento de aeronaves no pátio, aglomeração nas escadas rolantes, guichês para check-in insuficientes, demora na alfândega e na liberação das bagagens. No embarque, mais filas para a checagem da bagagem de mão nos equipamentos de raios X e dos passaportes.
Fora do aeroporto, há uma disputa por táxis nos horários de maior movimento, ou para conseguir um lugar nos ônibus que ligam o terminal até o centro de São Paulo - uma distância de quase 30 quilômetros. Essa é a rotina diária dos passageiros que embarcam ou desembarcam no aeroporto paulista. Só no ano passado, 26 milhões de pessoas passaram por Cumbica, número bem acima dos 20,5 milhões estimados de capacidade.
- Já estamos vivendo um caos, imagina quando chegar a Copa de 2014 - diz o empresário Maurício Baccini, que desembarcou na sexta-feira em Cumbica, vindo de Atlanta (EUA).
Baccini e os colegas Vinicius Salles e André Azevedo, que participaram de um seminário de tecnologia na cidade americana, tiveram que esperar mais de uma hora e meia para cruzar o portão de desembarque.
- A pista, as escadas rolantes e a área para retirada das bagagens são os principais gargalos do aeroporto - apontou Azevedo, lembrando que os terminais americanos, apesar da segurança exagerada, são mais espaçosos e têm mais funcionários.
Os três amigos, a exemplo de outras pessoas ouvidas pelo GLOBO, não acreditam que as obras de ampliação vão aliviar a atual situação do maior terminal de passageiros do país.
- A situação vai de mal a pior para os passageiros - concorda Rogério Aparecido dos Santos, diretor da regional do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo, em Guarulhos.
Segundo o sindicalista, o número de esteiras de bagagem (seis no terminal 1 e outras seis no terminal 2) e de equipamentos de raios X continua o mesmo, apesar do crescimento exponencial do fluxo de passageiros e de aeronaves. Em 2009, foram realizados 219 mil pousos e decolagens, número que subiu para 250 mil em 2010, e deve chegar a 270 mil este ano.
Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que será entregue à nova diretoria da Infraero, estatal que administra os principais aeroportos do país, e à presidente Dilma Rousseff, confirma a situação de caos em Cumbica. E aponta que, mesmo que sejam realizadas todas as obras previstas até 2014, um investimento de R$1,2 bilhão, os problemas vão permanecer ou se agravar com a Copa de 2014.
De acordo com o documento, as obras de ampliação do terminal de passageiros, das pistas de pousos e decolagens e do pátio, que devem aumentar a capacidade do aeroporto para 35 milhões de pessoas, serão insuficientes. Pelas projeções do estudo, caso a demanda continue crescendo em torno de 10% ao ano, em 2014 seria necessário criar uma estrutura para atender entre 37 milhões e 39 milhões de passageiros.
- Se o crescimento de passageiros ficar acima de 10%, o que não é difícil, vamos estar em uma situação pior que a de hoje em plena Copa - disse um dos técnicos que esteve à frente do estudo da UFRJ.
Para esse técnico, tumultos e atrasos de voos vão continuar. E o prazo de conclusão das obras em Guarulhos, previsto para novembro de 2013, não deve ser cumprido. Outro estudo, divulgado semana passada pelo Ipea, diz que as obras de nove dos 13 terminais das cidades que sediarão jogos da Copa não serão concluídas a tempo.