Título: Um presente de grego para a sucessora
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 17/04/2011, Economia, p. 36

BRASÍLIA. Economistas ouvidos pelo GLOBO afirmam que a decisão do BC de não elevar os juros em dezembro de 2010, quando já havia uma pressão inflacionária no país, levou o governo atual a ter mais dificuldades para controlar a alta dos preços.

- Os juros deveriam ter subido antes, e num patamar mais elevado - diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Ele lembra que a expectativa da Austin para a Selic no fim de 2010 era de 12,25% ao ano, sendo que a taxa acabou encerrando 2010 em 10,75%. Já Elson Teles, economista da Máxima Asset, esperava que ela fechasse em 12%:

- O descompasso entre a demanda e a oferta estaria bem menor hoje.

Segundo Agostini, em dezembro, quando a Selic foi mantida, os juros deveriam ter subido, pelo menos, 0,5 ponto percentual:

- Quando, no dia 3 de dezembro, o BC anunciou medidas para reduzir a oferta de crédito, ficou claro que a decisão política tinha sido tomada e que a Selic não subiria.

O economista da Austin explica que medidas macroprudenciais teriam surtido efeito no início de 2010, quando já havia sinais de que um problema poderia ocorrer em função das altas das commodities.

Teles critica a opção política do ano passado e também a estratégia do atual BC de combinar menos juros com medidas macroprudenciais:

- A impressão do mercado é de que o BC tem tido um discurso frouxo.