Título: O câmbio vai continuar valorizado
Autor:
Fonte: O Globo, 17/04/2011, Economia, p. 37

O real continuará apreciado?

ENGEL: O câmbio vai continuar valorizado. Ainda há uma liquidez bastante grande no mundo e não se vê um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos este ano. Outro aspecto é que o Brasil é um ponto de investimento. No mundo que vemos para frente, os países emergentes crescem mais, o consumo de commodities será maior, então o investimento no Brasil vai continuar forte.

O Brasil passou de quinto para terceiro maior mercado do HSBC em 2010. O que puxou?

ENGEL: O Brasil é importante pelo tamanho da economia e pelo bônus populacional que terá nos próximos 20 anos. Somos o número um em emissões de títulos de empresas no exterior, o que alavanca a distribuição global, estamos crescendo forte na intermediação dos fluxos de negócios entre Brasil e China e também no mercado premier, formado por clientes de mais alta renda. E crescemos muito onde o Brasil avança, como crédito imobiliário e financiamento a pequena e média empresa no Brasil. Queremos explorar cada vez mais nossa capacidade global: o HSBC está em 88 países.

De que forma este crescimento se reflete na estratégia global?

ENGEL: É claro que reforçou a importância estratégica do Brasil, há grande atenção para o mercado brasileiro. O novo diretor-executivo, Stuart Gulliver, veio ao Brasil em fevereiro, conversou com clientes, entendeu a estratégia e viu que podemos crescer ainda mais. Em setembro, fará aqui uma reunião do Comitê Executivo do grupo, responsável pela gestão da estratégia global. A consequência é que vamos aumentar entre 25% e 30% a estrutura de vendas este ano, contratando mil novos gerentes no Brasil para expandir a capacidade de negócios.

O setor financeiro acabou de passar por duas grandes fusões. Há mais espaço para crescer em alta renda por isso?

ENGEL: Sem dúvida. Queremos o cliente de alta renda, temos ofertas diferenciadas, principalmente nossa capacidade global. E as fusões nos trazem inúmeras oportunidades e nos permitiram ganhos de mercado. Mas a maior parte dos novos clientes vem da proposta de conexão global e do crescimento da estrutura de suporte em nossas agências.

O HSBC vai comprar outro banco no Brasil?

ENGEL: O mercado financeiro está bem consolidado. Não há oportunidades de aquisições. O HSBC está bem estruturado para obter um crescimento orgânico de 20% este ano.

O HSBC busca avançar no ranking de bancos?

ENGEL: Somos o quarto maior banco privado do Brasil, um grande banco médio. Temos 7% dos depósitos, 5% do crédito para pessoas jurídicas e 4,5% em pessoas físicas. A Losango tem 20% do financiamento ao consumo. Mas o salto no ranking é muito grande. Vamos crescer em participação de mercado, mas continuaremos em quarto.