Título: Otimismo empresarial unânime com o Rio
Autor: Batista , Henrique Garcia ; Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 17/04/2011, Economia, p. 40
O otimismo com a economia do Rio é generalizado. A 7ª Sondagem Empresarial: A Força do Estado do Rio de Janeiro ¿ realizada anualmente pela pwc (PricewaterhouseCoopers) com apoio do GLOBO ¿ indica pela primeira vez que 100% dos executivos entrevistados acreditam que a economia do estado crescerá mais que as demais unidades da Federação nos próximos anos. O levantamento mostra ainda que 53,6% das empresas consultadas esperam, nos próximos cinco anos, aumentar em mais 10% o volume de recursos em relação ao que foi investido no período anterior. Com isso, ampliam as preocupações com as chamadas ¿dores do crescimento¿: a qualificação de mão de obra cada vez mais tira o sono do empresário, que ainda está atento às questões da segurança, de infraestrutura e olha cada vez com mais cuidado para os temas ambientais.
¿ Um dos pontos que nos surpreendeu é que o otimismo está muito alto, o percentual de empresas que devem aumentar os investimentos em mais de 10% nos próximos anos é algo muito importante. Vemos uma forte internacionalização das empresas cariocas ¿ afirmou João César Lima, sócio da pwc.
Esse otimismo contrasta com a percepção de um cenário nacional mais adverso para este ano, com os executivos preocupados com inflação, câmbio e crescimento econômico menor que o registrado em 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) cresceu 7,5% na onda da recuperação da crise mundial de 2009. Se no levantamento de 2010 apenas 12,9% dos entrevistados esperavam que o IPCA ficasse entre 5% e 6%, na pesquisa deste ano cerca de metade dos executivos (48,3%) espera que os preços subam entre 5% e 6%. Já 24,1% esperam inflação acima de 6%.
Mais de 60% vão contratar e ninguém vai demitir
Mas o que chama a atenção é o otimismo com o estado. Se neste ano todos os executivos esperam que a economia estadual cresça mais que a dos demais estados, na pesquisa do ano passado o percentual de empresários com esta percepção era de 64,5% e 12,9% esperavam taxa inferior à média nacional. Para os empresários, as principais vantagens do Rio são localização (citado por 69% dos entrevistados), qualidade de vida (44,8%), possibilidade de expansão dos negócios (41,4%) e qualidade da mão de obra (37,9%). Pela primeira vez, a segurança é apontada como uma vantagem, citada por 3,4% dos entrevistados.
¿ Há uma coisa óbvia por trás desse resultado: o alinhamento dos três níveis de governo. Houve também uma mudança de geração política no estado, com um novo paradigma. Só em 2010 geramos mais de 100 mil empregos formais. Fomos considerados, por uma consultoria internacional, a 10ª metrópole, entre 150 de todo o mundo, que melhor reagiu à crise ¿ afirmou o prefeito Eduardo Paes.
Apesar do declínio em relação a outros anos, segurança ainda é o maior problema do estado, citado por 79,3% dos entrevistados, seguido de carga tributária (41,4%), custos maiores (34,5%) e malha viária (27,6%). Ao serem questionados sobre os principais problemas das empresas em gestão, a preocupação com mão de obra é líder absoluta: 55,2% dos executivos indicaram ¿treinamento e desenvolvimento de pessoal¿. Já 48,3% apontam problema de ¿capacidade local de geração de mão de obra qualificada¿ e 44,8% mencionam necessidade de ter ¿pessoas preocupadas e comprometidas com o negócio¿. A título de comparação, no ano passado, os três itens eram citados, respectivamente, por 12,9%, 16,1% e 16,1%. Em 2010, a grande preocupação eram os custos.
Essa preocupação fica mais evidente quando a pesquisa indica que 60,7% dos entrevistados esperam ampliar o número de empregados, contra 39,3% que devem manter o número do pessoal e nenhum empresário afirma que prevê corte de vagas:
¿ Estão tentando roubar nossos professores, isso é algo que nunca vimos ¿ conta Luiz Felipe da Motta, diretor da Escola de Negócios da PUC.
William Monteath, do escritório carioca da empresa de recrutamento Robert Half, confirma essa falta de treinamento. Segundo ele, cada vez mais as empresas contratam funcionários que não possuem todo o conhecimento que desejam, mas preferem fazer isso para ter um bom profissional e, depois, treinar o novo empregado:
¿ É cada vez mais comum empresas que contratam funcionários e logo o enviam para cursos no exterior. Isso ocorre principalmente no setor de petróleo e gás ¿ disse o especialista.
Investimentos em diversos setores
Embora os setores de óleo e gás, turismo e hotelaria, infraestrutura ligada aos megaeventos esportivos e serviços liderem as perspectivas de crescimento do país, há diversificação dos investimentos no estado:
¿ No último mês, recebi empresários indianos do setor de equipamentos de construção e os franceses da Bombardier, que estão interessados em construir trens no Rio e que nos procuraram para um acordo, já que agora assumimos a Supervia. Eles querem vir aqui de olho na construção de 90 trens ¿ disse Benedicto Junior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, empresa que tem na Prefeitura do Rio seu maior cliente público.