Título: OAB também critica plebiscito contra as armas
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 14/04/2011, Rio, p. 19

Presidente da entidade classifica a proposta como "cortina de fumaça" para ocultar verdadeiros problemas de segurança

BRASÍLIA. A proposta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de uma nova consulta popular sobre o desarmamento enfrenta resistência também fora do Congresso. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, chamou a iniciativa do senador em realizar um plebiscito em outubro de "uma cortina de fumaça" para desviar a atenção dos brasileiros dos principais problemas da segurança pública. Para ele, o que o país precisa é de um plano nacional de segurança pública para combater o comércio ilegal de armas e munição, o grande propulsor da violência.

- Hoje se vive no Brasil uma verdadeira guerra civil urbana, pela ausência de uma política clara, consistente e efetiva de combate à criminalidade e ao tráfico de armas - afirmou Ophir, lembrando já houve uma consulta em 2005. - O plebiscito pode ser uma cortina de fumaça para desviar o foco dos reais problemas de segurança que devem ser enfrentados pelo governo, além de se constituir num desrespeito à vontade expressada no referendo de 2005.

Para Jungmann, nova consulta seria um golpe

Mesmo parlamentares que, em 2005, defenderam o desarmamento e saíram derrotados no referendo são contra a nova consulta aos eleitores. É o caso do ex-deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que coordenou a frente Brasil Sem Armas e esteve à frente da campanha pelo "sim". Para Jungmann, uma nova consulta é um desrespeito ao resultado de seis anos atrás.

- Não é cabível nova consulta. Esse plebiscito, agora, é uma demagogia, um golpe. É preciso respeitar o resultado - disse Jungmann.

O senador José Sarney voltou a defender ontem sua proposta e afirmou que o Brasil hoje vive um momento diferente daquele de 2005. A proposta dele vai começar sua tramitação pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que determina ou não a admissibilidade do projeto.

Na tarde de ontem, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade o requerimento de instalação da Subcomissão de Controle de Armas e Munições apresentado na semana passada pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ). A subcomissão, que será presidida pelo próprio Molon, vai fiscalizar o cumprimento do Estatuto do Desarmamento e analisar todos os projetos que tramitam na Câmara a respeito de armas e munições, além de propor sistemas mais rigorosos de controle de armamentos no país.