Título: Juros de todas as linhas de crédito subiram em março, diz Procon-SP
Autor: D"Ercole, Ronaldo; Gomes, Wagner
Fonte: O Globo, 16/04/2011, Economia, p. 26
Taxa média do cheque especial chegou a 9,35% ao mês, maior nível desde 2003
SÃO PAULO. As taxas de juros voltaram a subir em março em todos os segmentos do crédito no país, refletindo as medidas que vêm sendo adotadas pelo governo desde o fim de 2010 para frear a demanda no país. Pesquisa do Procon de São Paulo (Procon-SP), divulgada ontem, mostra que no mês passado os juros médios do cheque especial chegaram a 9,35% ao mês, o maior nível desde 2003. As taxas para o crédito pessoal também avançaram, atingindo 5,49% ao mês, em média, patamar mais elevado em quase quatro anos. Levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) identificou elevação generalizada nos juros em março: a taxa média cobrada por bancos, financeiras e varejo subiu de 6,73% ao mês (118,49% ao ano) em fevereiro, para 6,78% (119,72% ao ano). A exceção foram os cartões de crédito, cuja taxa média do crédito rotativo manteve-se em 10,69% ao mês (ou 238,3% ao ano).
Apesar dos sucessivos aumentos da Selic, iniciados em abril do ano passado, a Anefac constatou que os juros médios do crédito ao consumidor caíram em relação a janeiro do ano passado. Enquanto a taxa básica subiu três pontos percentuais, saindo de 8,75% para os atuais 11,75% ao ano, a taxa média dos financiamentos a pessoas físicas recuou 2,24 pontos, de 121,96 % para 119,72% ao ano em março. Esse movimento já contempla as medidas de restrição ao crédito adotadas pelo governo a partir de dezembro - como a elevação das exigências de capital em financiamentos de veículos e o aumento do compulsório dos bancos. A elevação do IOF para o crédito à pessoa física )de 1,5% para 3%) só terá impacto nas operações deste mês.
Comércio já está sentindo efeitos, diz economista
A maioria dos economistas tem dúvidas sobre a eficácia das medidas adotadas até aqui pelo governo para conter a inflação. Por isso uma nova rodada de alta da Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), semana que vem, é dada como certa: a única dúvida é quanto à dose do aumento, se 0,25 ou de 0,5 ponto percentual.
- A inflação corrente continua bem acima do inicialmente esperado, os preços de commodities permanecem em patamar elevado e o ritmo de desaceleração local ainda não é claro - diz Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil.
Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, avalia que as medidas para conter o crédito já estão fazendo efeito. Segundo ele, as vendas do comércio varejista já crescem a um ritmo menor. O volume de vendas do comércio, que estava crescendo 1,3% ao mês até novembro, está agora quase estagnado.
- O consumidor está mais ressabiado. Podemos dizer que houve mudança de trajetória.