Título: Uma Bahia inteira só de idosos de mais de 65
Autor: Almeida, Cássia ; Martin, Isabela
Fonte: O Globo, 30/04/2011, O País, p. 10
O Brasil está mais velho. Desde as mudanças demográficas ocorridas a partir da II Guerra Mundial, o número de idosos cresce no país. No Censo de 2010, essa tendência apareceu de forma clara. Existem hoje mais de 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos de idade no Brasil, contra 9,9 milhões em 2000. O total de brasileiros com mais de 65 anos corresponde, por exemplo, à população da Bahia.
A longevidade mostrada pelos números, no entanto, requer atenção das políticas públicas voltadas para a previdência. Para o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, a questão pode ser vista como um desafio a ser enfrentado por um país que está em pleno desenvolvimento.
- O padrão etário do Brasil de meio século atrás é o mesmo do continente africano atualmente. A gente observa é que, 40 anos para a frente, o Brasil terá, com padrão demográfico atual, uma estrutura etária muito parecida com a da França hoje, com impacto, inclusive, previdenciário. No ano passado, houve, na França, a implementação de uma lei que ampliou em dois anos o tempo de contribuição para o cidadão. Ainda temos tempo para pensar a questão no Brasil. A previdência não pode ser vista como um problema, já que a mortalidade infantil diminuiu. A previdência será o desafio e não o problema - avaliou ele.
Os dados do Censo mostram que há um acréscimo na população, entre 2000 e 2010, de pouco mais de quatro milhões de pessoas com mais de 65 anos de idade, um aumento de cerca de 42% na população da terceira idade.
A representatividade dos jovens de até 25 anos, em contraposição aos velhos, diminuiu nos últimos dez anos.
Também foi divulgada ontem a população total do Brasil, que alcançou a marca de 190.755.799 habitantes. O país cresceu quase 20 vezes desde o primeiro recenseamento, feito em 1872. O maior pico foi constatado entre as décadas de 50 e 60 do século passado, quando o crescimento populacional chegou a quase 3% ao ano. Entre 2000 e 2010, contudo, a média foi a mais baixa desde a criação do Censo - apenas 1,17% ao ano.
O IBGE verificou que as regiões do país não cresceram de maneira uniforme: Norte e Centro-Oeste foram as que mais aumentaram suas populações (2,09% e 1,91%, respectivamente), em grande parte pelo fator migratório. A Região Sul foi a que menos cresceu (0,87%), puxada pelo Rio Grande do Sul (apenas 0,49%).
No Estado do Rio, para cada cem mulheres, 91,2 homens
A superioridade populacional das mulheres sobre os homens foi constatada pelo IBGE. Enquanto o grupo masculino é formado por 93.406.990 pessoas, o feminino tem 97.348.809. Esses números indicam que há 96 homens para cada 100 mulheres. No Estado do Rio, essa diferença é maior do que em todas as outras unidades da Federação. Neste caso, a razão é de 91,2 homens para cada 100 mulheres.
- No caso do Estado do Rio, esse diferencial se acentua em função dos óbitos violentos, que atingem principalmente a população mais pobre e masculina - explicou Fernando Albuquerque, um dos coordenadores da pesquisa.
O país que antes da década de 70 crescia no campo está cada vez mais urbano. Enquanto as cidades pequenas ficam cada vez menores, as médias crescem a taxas superiores às das grandes metrópoles. Entre 2000 e 2010, a população rural perdeu cerca de dois milhões de pessoas. Já a urbana foi acrescida em 23 milhões. E o estado que representa essa mudança de forma mais acentuada é o Rio de Janeiro, o mais urbanizado, com 96,7% de pessoas nesse ambiente.