Título: Modernização para combater escândalos
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 30/04/2011, Economia, p. 38

BRASÍLIA. As medidas de modernização dos Correios são uma tentativa do governo Dilma Rousseff de profissionalizar a gestão da estatal, que aguça o apetite dos partidos e tem frequentado o noticiário de escândalos em larga escala nos últimos seis anos.

Foi a partir de um episódio de corrupção flagrado na empresa que se romperam alianças políticas na gestão Lula e se denunciou o mensalão. No ano passado, o lobby por uma prestadora de serviços para a empresa desencadeou uma crise que ajudou a levar a disputa presidencial ao segundo turno.

Entre os atrativos dos Correios estão sua imensa capilaridade ¿ agências da companhia se fazem presentes em praticamente todos municípios do Brasil ¿ e suas compras anuais, sempre superiores a R$600 milhões.

Com o objetivo de pôr fim aos escândalos na empresa, o governo Dilma Rousseff promoveu mudanças mais profundas em sua estrutura, entre elas, a entrega da presidência do conselho de administração da companhia ao Ministério das Comunicações e a criação de uma área de auditoria diretamente vinculada à Presidência da República.

Para tentar dar credibilidade ao plano de moralização dos Correios, era necessário um nome técnico. No primeiro dia útil do governo Dilma, utilizando este pretexto, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, do PT, destituiu toda a diretoria e anunciou que os novos integrantes do comando da estatal não teriam apadrinhamento político. No entanto, o presidente escolhido foi o economista Wagner Pinheiro, ex-dirigente da Petros (fundo de pensão da Petrobras) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligado ao PT.