Título: Após ata, mercado vê elevação de juros até agosto
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 29/04/2011, Economia, p. 27
Para analistas, BC reconheceu que inflação piorou. Texto diz que aperto monetário será "suficientemente prolongado"
BRASÍLIA. O atual ciclo de aperto monetário será "suficientemente prolongado" diante do cenário maior de incertezas sobre o comportamento da inflação. Ou seja, haverá mais elevações da taxa de juros nos próximos meses do que se pensava até então, como estratégia para frear a escalada de preços. Esta é a mensagem central da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), publicada ontem, e levou o mercado a realinhar suas apostas, prevendo ao menos mais duas altas seguidas da Selic, de 0,25 ponto percentual cada. Esticar o movimento para agosto também entrou no radar.
Na reunião realizada na semana passada, a Selic foi elevada de 11,75% para 12% ao ano, pegando de surpresa boa parte do mercado. Os agentes, em sua maioria, apostavam numa puxada maior, de meio ponto, porém marcando o fim do aperto. Isso porque o BC vinha insistindo que, em seu cenário de referência, a inflação entraria em queda entre o terceiro e o quarto trimestres, fechando a 5,6% em dezembro. A meta de inflação para este ano é de 4,5%, com intervalo de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
Além disso, o BC vinha insistindo na importância das medidas macroprudenciais, que restringem liquidez e crédito, para complementar a política de juros. Em diversas ocasiões, o BC deixou claro que novas medidas desta natureza poderiam ser adotadas.
- O BC reconheceu que o cenário de inflação piorou e, nesta ata, voltou a reforçar que o instrumento de política monetária são os juros mesmo. Retirou um pouco a força que tinha dado às medidas macroprudenciais como alternativas futuras (aos juros) - afirmou o economista-chefe do WestLB, Roberto Padovani.
No comunicado após a reunião da semana passada, quando votou dividido (dois diretores defenderam a permanência do patamar de alta de meio ponto dos dois encontros anteriores), o BC já havia ensaiado este tom. No documento de ontem, o adotou explicitamente:
BC agora prevê alta de 2,2% na gasolina este ano
"O Copom entende, de forma unânime, que, diante das incertezas quanto ao grau de persistência das pressões inflacionárias recentes, e da complexidade que envolve hoje o ambiente internacional, o ajuste total da taxa básica de juros deve ser, a partir desta reunião, suficientemente prolongado".
O BC voltou a dizer que a economia continua aquecida, citando o crescimento da massa salarial e do emprego, que estimulam o consumo num momento em que a capacidade de oferta está perto do limite. Outro indício é o comportamento do crédito. Apesar de apresentar "certo arrefecimento", o BC entende que o movimento de expansão "tende a persistir".
No cenário internacional, o BC ressaltou que os preços das commodities ainda são uma incerteza, inclusive as cotações do petróleo. Não por menos, a autoridade monetária mudou sua previsão de aumento dos preços internos da gasolina: depois de passar meses indicando estabilidade, agora o BC projeta que a gasolina subirá 2,2% em 2011. Para gás e butijão, manteve as contas de preços estáveis.
- Os preços da gasolina para o consumidor final subiram quase 10% neste ano, por causa do etanol. Isso afeta muito a inflação - salientou o economista-chefe da Máxima Asset Management.