Título: Para bispo, união gay é destruição da família
Autor: Barbosa, Adauri Antunes
Fonte: O Globo, 06/05/2011, O País, p. 12
Em assembleia geral da CNBB, religiosos criticam formação de famílias por duas pessoas do mesmo sexo
APARECIDA (SP). Embora o casamento entre pessoas do mesmo sexo não seja tema da 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), religiosos que participam do evento condenaram ontem o reconhecimento da união homoafetiva. O arcebispo de Maringá (PR), Dom Anuar Battisti, afirmou que a união entre homossexuais aprovada pelo Supremo representa uma "agressão frontal" à família e disse que a Justiça está "institucionalizando a destruição da família".
- Criando esta norma, esta lei, estaremos institucionalizando a destruição da família. É uma agressão frontal à família, instituição que nós sempre defendemos - disse o arcebispo de Maringá. - Não podemos concordar que aí exista uma união matrimonial, porque não existe uma união sacramental entre duas pessoas do mesmo sexo.
"Uma coisa é união civil, outra é casamento"
Para o bispo de Nova Friburgo (RJ), Dom Edney Gouvêa Mattoso, é preciso que haja discernimento entre o que é "união civil" e "casamento", já que a Igreja Católica condena o casamento entre homossexuais, não a união civil:
- Uma coisa é união civil, outra é casamento. A Igreja se posiciona contrária à questão do casamento. O casamento, do ponto de vista religioso, é um sacramento e tem suas orientações próprias. Agora, o direito de duas pessoas de conviver e constituir um patrimônio, com herança, penso que é consenso. Mas essa união não pode ser chamada de casamento.
O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, observou que, assim como o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), a Igreja Católica no Rio quer garantir direitos civis a funcionários públicos.
- A CNBB, como toda a Igreja do Brasil e do mundo inteiro, quer preservar o direito de todos, quer o bem de todos, a dignidade de todos. No caso do Rio de Janeiro, o governador quer que as pessoas tenham direito a herança, uma coisa e outra. São questões financeiras, estão trabalhando juntos, construindo juntos, mas não é uma família. A Igreja sempre defendeu, defende e defenderá os direitos das pessoas, é contra qualquer exclusão - afirmou.
Dom Orani disse que não há qualquer divergência dos católicos em relação a duas pessoas que constroem os bens em conjunto, mas em relação ao que se entende como família:
- O que a Igreja coloca é que partimos de bases diferentes, a família. A família é uma entidade que vem do direito natural, não é decisão da maioria das pessoas. As pessoas têm o direito, sim, de ter sua responsabilidade, sua dignidade. Somos favoráveis a isso. Mas não é pela maioria que se diz o que é família.
Bispo de BH: felicidade é família de homem e mulher
Para Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte, a Igreja não defende a infelicidade, mas a felicidade não deve ter como base uma família homossexual.
- A Igreja não deseja a infelicidade das pessoas. Isso seria uma contradição em si mesma. Ela busca, na fidelidade a Jesus, a salvação das pessoas, portanto a realização plena das pessoas. A Igreja entende que o ser humano de fato se realizará na profundidade de sua relação na constituição de uma família a partir de um casal homem e mulher. Não homossexual.