Título: Questão fiscal gera polêmica entre secretário e economista
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 19/05/2011, Economia, p. 21

A situação das contas públicas brasileiras gerou debate no terceiro dia do XXIII Fórum Nacional. O economista Raul Velloso, especialista no tema, afirmou que o governo vem criando novos subsídios, como o custo das reservas internacionais. Nesse quesito, segundo as contas do economista, o custo chegaria a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país). Ele citou também os aportes ao BNDES de R$235 bilhões nos últimos três anos, que embutiu R$14 bilhões de subsídios, representando 0,4% do PIB:

- Essa informação não está muito boa nas contas públicas. Os juros nominais caem pouco, mesmo com a queda da Selic. Há um custo implícito da dívida líquida muito maior que a Selic.

Ele também se referiu ao investimento público que está em 1,2%, "ainda abaixo do 1,7% dos anos 70." E ainda citou as transferências que respondem por 50% dos gastos da União, e somente 11% são cobertas por contribuições, referindo-se à Previdência Social.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, respondeu ao economista, afirmando que a estatística oficial é feita com base em parâmetros internacionais, "respeitados no mundo inteiro".

- São os parâmetros que o próprio FMI utiliza. São parâmetros que mostram uma melhoria muito forte do nosso fiscal. Nós estamos com um resultado primário muito significativo e positivo. A forma como alguns colocam não é correta sob o ponto de vista da melhor análise. Esses subsídios como o PSI (Programa de Sustentação do Investimento, linha de crédito do BNDES com juros subsidiados) estão nas contas públicas.

Segundo Augustin, o país tem condições de manter a sustentabilidade da sua situação fiscal.. - Todos os subsídios estão nas contas públicas. Na linha contrária, havia um conjunto de subsídios do passado, esqueletos que foram aos poucos incorporados numa situação de total saúde financeira do país. Estamos muito satisfeitos com a situação fiscal brasileira, a dívida fechou no mês de março em 39,9%, abaixo de 40%. Ela já foi de 60% do PIB, há menos de dez anos. Isso é reconhecido pelo mercado financeiro internacionhal. Por isso, ganhamos grau de investimento. É também percebido nos preços dos títulos brasileiros que estão muito melhores do que foram no passado.