Título: Emergentes entram com quase 25% dos recursos
Autor: Berlinck, Deborah; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 24/05/2011, Economia, p. 20

Brasil é um dos credores do Fundo, com US$13,8 bi. Dinheiro tem sido usado por europeus

A perspectiva é a de que o substituto do francês Dominique Strauss-Kahn, como diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), seja novamente um outro europeu - mantendo a tradição de pouco mais de seis décadas. Desta vez, no entanto, embora permaneçam sem a chefia dessa instituição, os países emergentes terão mais voz - e peso - nos pacotes de salvamento de países em apuros. E, portanto, poderão interferir mais nas negociações relativas a esse tipo de socorro.

Isso porque, atualmente 17 países emergentes contribuem com nada menos do que US$142 bilhões numa carteira especial de empréstimos - a New Arrangements to Borrow (NAB) - utilizada em casos de emergência. Isso é o equivalente a 40% dos recursos depositados nesse programa (US$347,5 bilhões) pelos países do G-7, o grupo que reúne os mais ricos.

O Brasil é um desses novos credores, com US$13,8 bilhões depositados naquela carteira. Somando a NAB à outra fonte de financiamento - a tradicional General Arrangements to Borrow (GAB) - o FMI conta com um total de US$583 bilhões. Isso significa que os emergentes são responsáveis por quase um quarto (24,3%) daquele total.

Hoje, três dos 17 países da zona do euro vêm sendo socorridos por pacotes para os quais os emergentes contribuem: Portugal (US$34,2 bilhões), Grécia (US$39,5 bilhões) e Irlanda (US$30,9 bilhões). Segundo estimativas da direção do FMI, é provável que outros europeus venham a precisar de ajuda.

Um informe emitido em meados de abril alertou que embora a perspectiva geral seja boa, a fragilidade do setor bancário "e velhos problemas na periferia da Europa" podem complicar a situação:

- Ainda há riscos significativos para a recuperação europeia - afirmou Antonio Borges, economista português que é diretor do Departamento Europeu do FMI.