Título: Oito ex-ministros criticam, e Dilma promete veto
Autor: Damé, Luiza; Alencastro, Catarina
Fonte: O Globo, 25/05/2011, O País, p. 4

Segundo ex-titulares do Meio Ambiente contrários ao texto de Aldo, presidente estava apreensiva com votação do Código

BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff abriu sua agenda ontem para receber oito ex-ministros do Meio Ambiente, contrários ao texto do Código Florestal apresentado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Segundo relato dos ex-comandantes da área ambiental, Dilma estava apreensiva com a votação e os efeitos negativos que a aprovação do texto em debate poderá gerar dentro e fora do país.

Ela teria sido simpática à posição deles e prometeu vetar o projeto caso fossem aprovadas a anistia para os desmatadores, a possibilidade de os estados definirem novos limites de preservação e a consolidação da produção agropecuária em Áreas de Preservação Permanente (APP). Na audiência, de quase um hora, Dilma deixou claro que poderá vetar todo o texto caso sejam incluídos dispositivos que representem o desmonte da atual legislação.

- A presidente se mostrou disposta a impedir retrocessos na legislação ambiental. Ela se mostrou solidária com a nossa posição. Ela disse que não aceita o aumento do desmatamento e deixou claro que vetará a emenda (que anistia desmatadores). Se usarem de subterfúgios, ela poderá vetar o projeto inteiro - disse o ex-ministro Rubens Ricupero (titular da pasta durante o governo Itamar Franco).

Segundo o ex-ministro Carlos Minc (governo Lula), a presidente disse ser inaceitável a anistia aos desmatadores. O PMDB apresentou uma emenda propondo a anistia por desmatamentos feitos até julho de 2008.

- A presidente manifestou apreensão em relação a alguns pontos que ela considera inaceitáveis. A anistia a desmatadores, por exemplo, ela considera inaceitável. A ideia da ocupação pecuária em APPs é inaceitável. E manifestou mais uma coisa: que, se houvesse algum tipo de formulação que impedisse um veto parcial, poderia chegar até a um veto total - disse Minc.

Na reunião, Dilma se disse preocupada com o aumento de 27% no desmatamento da Amazônia nos últimos nove meses e com a relação disso com a votação do Código Florestal e com a possibilidade de anistia. Segundo dados registrados por satélite, só em Mato Grosso houve um incremento de 47% no desmatamento identificado no ano passado.

- Ela disse claramente que acha que o que aconteceu em Mato Grosso tem a ver, sim, com a discussão do Código - contou Minc, que também afirmou que a presidente teme que um afrouxamento da lei ambiental resulte em ações protecionistas aos produtos brasileiros por parte de compradores internacionais.

- A presidente Dilma manifestou sua preocupação com o aumento do desmatamento só com a expectativa de aprovação da lei - completou a ex-ministra Marina Silva (titular no governo Lula).

Estiveram no Palácio do Planalto os ex-ministros Carlos Minc, Marina Silva, José Carlos Carvalho, Sarney Filho, Henrique Brandão Cavalcanti, Rubens Ricupero, Fernando Coutinho Jorge e Paulo Nogueira Neto. A atual ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também estava na reunião.

Mais tarde, Aldo também esteve no Planalto para tratar do Código Florestal e ironizou a posição dos ex-ministros, criticando diretamente Minc, Marina e Sarney Filho (do governo Fernando Henrique).

- O Minc foi secretário do Meio Ambiente do Rio, mas não olhou os morros, que desabaram. A Marina tem de explicar por que os seringueiros do Acre preferiram Dilma e (José) Serra, na eleição presidencial, e ela ficou em terceiro. O Zequinha representa um exemplo de desenvolvimento sustentável, que é o Maranhão - afirmou.