Título: Governo evita de novo convocação de Palocci
Autor: Lima, Maria
Fonte: O Globo, 26/05/2011, O País, p. 3

Senadores de oposição dizem estar confiantes que conseguirão assinaturas para CPI

BRASÍLIA. Embora até agora só tenha conseguido reunir 19 assinaturas de senadores em favor da criação da CPI Mista para investigar as suspeitas de tráfico de influência contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a oposição está confiante em que conseguirá as 27 necessárias na Casa e, assim, garantir a abertura de uma investigação pelo menos no Senado. Além do apoio dos 11 senadores do PSDB, quatro do DEM, de dois do PSOL e do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o líder tucano, Álvaro Dias (PR), garantiu ontem a assinatura de mais um novo dissidente da base governista: o senador Clésio Andrade (PR-MG). Os deputados, com mais dificuldade na coleta de assinaturas, evitam divulgar quantas já conseguiram. Na Câmara, a oposição viveu mais um dia de tentativas frustradas de aprovar a convocação de Palocci.

"G-8" do PMDB pode ser nova dissidência entre aliados

A dissidência na base do governo poderá aumentar nos próximos dias. A oposição aguarda, por exemplo, o posicionamento do chamado grupo dos oito do PMDB, que anda insatisfeito com a hegemonia na bancada do trio composto pelos senadores José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) e ameaça se rebelar. Fazem parte do chamado G-8 os senadores Ricardo Ferraço (ES), Luiz Henrique (SC), Cassildo Maldaner (SC), Pedro Simon (RS), Roberto Requião (PR), Waldemir Moka (MS), Eunício Oliveira (CE) e Eduardo Braga (AM).

Eunício e Braga já anunciaram que não pretendem assinar o requerimento da oposição, mas nos bastidores estariam estimulando os colegas a apoiar a CPI. O grupo aguarda as explicações que o ministro Palocci deverá encaminhar ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para justificar o crescimento meteórico de seu patrimônio nos últimos quatro anos.

Estão na mesma situação mais dois senadores da base aliada: Pedro Taques (PDT-MT) e Ana Amélia (PP-RS). A senadora Kátia Abreu (TO), que trocou recentemente o DEM pelo PSD, também avalia a possibilidade de assinar o requerimento da oposição. Uma assinatura que era considerada certa é a do senador Itamar Franco (PPS-MG), que está de licença para tratamento de uma leucemia que acabou de ser diagnosticada.

Na Câmara, a tropa governista derrubou ontem cinco requerimentos de convocação do ministro Palocci. Mas mudou de tática e, ao invés de esvaziar o quórum das sessões, escalou os aliados para comparecerem em peso às comissões.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), comandou pessoalmente a ação, permanecendo por um bom tempo nas comissões em que poderiam ser votados requerimentos de convocação de Palocci. Outro que compareceu a várias comissões foi o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), checando pessoalmente a orientação a seus liderados de impedir a aprovação de qualquer requerimento.

Mas, se conseguiu rejeitar requerimentos, o governo não evitou debates acalorados sobre o caso Palocci.

- Só queremos explicações. Quando ele não faz isso, crescem as suspeitas de que esta empresa foi utilizada como lavanderia. Resta saber se para tráfico de influência ou para cobrir débitos de campanha de Dilma - disse o deputado ACM Neto (DEM-BA).

O líder do PT, Paulo Teixeira (SP), retrucou:

- São meras especulações que beiram a leviandade.