Título: Dilma almoçará com caciques do PMDB
Autor: Lima, Maria; Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 27/05/2011, O País, p. 3
BRASÍLIA e SÃO PAULO. Na tentativa de evitar o esfacelamento de sua base no Congresso, e seguindo os conselhos de seu antecessor, a presidente Dilma Rousseff marcou para quarta-feira um almoço com os senadores do PMDB, quando terá um grande desafio: agregar aos interesses do governo o chamado G-8 do PMDB, um grupo de senadores históricos e independentes do partido que ameaça assinar o requerimento de criação de uma CPI mista para investigar as suspeitas de tráfico de influência contra o ministro Antonio Palocci. Faltam apenas sete assinaturas para as 27 necessárias para a CPI no Senado.
O vice-presidente Michel Temer entrou em campo ontem para ajudar Dilma. Numa espécie de prévia do almoço de quarta-feira, Temer convidou os integrantes do G-8 para um café no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice. Entre os convidados estavam os senadores Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS), Waldemir Moka (MS), Luiz Henrique (SC), Cassildo Maldaner (SC), Vital do Rêgo (PB), Eunício Oliveira (CE) e Eduardo Braga (AM).
No encontro, Temer ressaltou a importância da unidade do partido e se comprometeu a ajudar o grupo a ampliar sua influência no Senado, hoje sob a hegemonia do trio formado por José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR).
Com Palocci fragilizado e a falta de autonomia do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, a presidente terá, na opinião de alguns peemedebistas, de mudar de postura e assumir, sempre que necessário, a interlocução direta com o Congresso.
A entrada de Lula na articulação política do governo foi comemorada pelo PMDB, que tem, agora, a esperança de que o ex-presidente possa "colocar limites na gula" do PT, motivo de muitas disputas internas entre os dois partidos. E avisam que só trocar o ministro Luiz Sérgio não resolve o problema da articulação, pois, ainda que Palocci se mantenha no cargo, dificilmente terá condições para administrar todas as demandas.
Ontem, Temer negou que a presença de Lula em reuniões com as lideranças dos partidos aliados seja um sinal de fragilidade do governo Dilma, mas admitiu que Lula é um "reforço positivo" no governo e na defesa de Palloci:
- É um reforço, sem dúvida nenhuma. É uma voz autorizada como outras que passaram pelo Executivo nacional.
O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, presidente do PDT paulista, disse que Palocci não se sustenta no cargo e, caso insista na sua permanência, vai enfraquecer o governo de Dilma Rousseff.
Para Paulinho, "ainda tem muita coisa contra o ministro", e ele deve deixar o governo antes que novas denúncias mais graves apareçam contra ele.