Título: Mantega descarta novas medidas para segurar inflação e consumo
Autor: Rodrigues, Lino ; Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 21/05/2011, Economia, p. 36

SÃO PAULO e BRASÍLIA. Na contramão do Banco Central (BC), que ainda vê o ritmo da economia acima do que seria saudável para o momento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou ontem a necessidade de novas medidas para conter a expansão do consumo e da inflação. Segundo ele, o que foi feito pelo governo até agora "já surtiu efeito" e a economia "caminha para um cenário mais moderado" , com a inflação em uma trajetória descendente - apesar das estimativas de uma taxa mais elevada em 2011. O próprio governo divulgou ontem, no segundo relatório de avaliação das receitas e despesas do Orçamento de 2011, previsão para o IPCA de 5,7% este ano, acima do cálculo anterior, de 5%.

Mantega disse ter recebido dados de representantes do varejo mostrando que, depois da alta nos três primeiros meses do ano, as vendas começaram a desacelerar em abril e maio.

- Então, as medidas estão surtindo efeito, e acredito que não sejam necessárias outras medidas. Mas vamos observar. Acho que a economia já caminha para um patamar mais moderado de crescimento e mais moderado de crédito - disse Mantega, depois de se reunir com empresários do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV).

No relatório divulgado ontem pelo Ministério do Planejamento, a previsão para o IGP-DI passou de 6,28% para 7,01%. O documento, encaminhado à Comissão Mista de Orçamento, é uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. A meta central de inflação é 4,5%, podendo chegar a 6,5%.

Mantega disse que a fase de maior pressão já passou, uma vez que os principais "vilões do índice" (os preços de commodities, etanol, gasolina e alimentos) estão em queda.

- O mais importante é que o pior já passou. A parte da pressão inflacionária maior está sendo desativada. Então, daqui para frente, teremos uma redução gradativa da inflação. Podemos afirmar que não fugiremos dos limites da meta de inflação - disse Mantega, que estima que o IPCA deverá fechar o ano próximo de 6%.

Na segunda avaliação das receitas e despesas do Orçamento, a equipe econômica também alterou outros parâmetros da economia para o ano, em relação ao previsto no primeiro relatório divulgado em março. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzido de 5% para 4,5%, confirmando projeções já divulgadas pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

- Estamos tomando medidas desde o fim do ano passado para moderar o crescimento do consumo e do crédito. As medidas estão fazendo efeito - afirmou Mantega.

Projeção para a média da Selic subiu para 11,74%

A estimativa para a Selic média (taxa básica de juros) subiu de 11,58% para 11,74%, e o crescimento previsto para a massa salarial passou de 10,96% para 11,71%, enquanto a previsão de valor médio do barril de petróleo subiu de US$98,34 para US$103,31. Todos esses parâmetros são considerados na avaliação do comportamento das receitas e despesas do Orçamento. Essa avaliação bimestral serve para o governo decidir se serão necessários novos cortes no Orçamento para garantir o cumprimento da meta de superávit primário.

Embora a expectativa das receitas para o ano tenha sido revista, como previsão de queda em relação à primeira avaliação do Orçamento, não houve alteração no ajuste anunciado pelo governo em março. Esse ajuste chega a R$50,6 bilhões, se considerados o corte de R$36,8 bilhões nas despesas de custeio e investimentos, e a contenção de despesas de pessoal e outros gastos obrigatórios, como Previdência.